Acumulação de dinheiro reforça visão da China de ineficiência em mais flexibilização, dizem fontes

segunda-feira, 29 de agosto de 2016 09:19 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - O banco central da China tem espaço para cortar as taxas de juros na tentativa de melhorar a economia, mas fontes dizem que evidências de que empresas e bancos estejam acumulando dinheiro reforçaram a visão das autoridades de que não há grandes benefícios em flexibilizar mais a política monetária.

A relutância também vem devido à experiência do Japão e da União Europeia (UE). Embora com políticas de flexibilização muito mais agressivas do que a China, incluindo taxas de juros negativas, eles têm sofrido para impulsionar suas economias, disseram as fontes.

Portanto, a menos que o crescimento econômico da China esteja em um sério risco de desacelerar abaixo de 6,5 por cento, autoridades não veem a necessidade de reduzir taxas de juros ou depósito compulsório. As fontes estão envolvidas em discussões internas de propostas de políticas e prestam aconselhamento, mas não fazem parte do processo final de tomada de decisão.

O banco central da China não respondeu a um pedido para comentar.

Pequim já aumentou os gastos do governo este ano para amparar o crescimento econômico, mas a visão de que as autoridades vejam vantagem limitada de cortar os juros ou o compulsório pode derrubar qualquer expectativa do mercado por flexibilização no curto prazo.

Também é provável que decepcione estatais e governos regionais, muitos dos quais já estão sobrecarregados com dívidas pesadas, enquanto muitas empresas privadas estão relutantes em investir devido às incertezas econômicas. Desta forma, crédito mais barato pode não fazer muita diferença para elas.

"O banco central não está preparado para cortar o compulsório ou as taxas de juros. A eficácia da política monetária é limitada e nós teremos que confiar na política fiscal", disse uma pessoa familiarizada com o pensamento do Banco do Povo da China, que falou na condição de anonimato.

(Por Kevin Yao)

 
Bandeira nacional chinesa vista em distrito financeiro em Pequim.  21/01/2016   REUTERS/Kim Kyung-Hoon/Files