Algodão do Brasil terá diferencial de rastreabilidade a partir de 2016/17, diz associação

segunda-feira, 29 de agosto de 2016 18:00 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Produtores de algodão do Brasil estão apresentando nesta semana aos seus maiores clientes internacionais as bases laboratoriais de um sistema de rastreabilidade que será lançado nos próximos meses e que deverá garantir ao importador da pluma segurança sobre a qualidade de origem do produto, um diferencial competitivo, segundo a associação dos cotonicultores brasileiros.

Uma delegação de importadores de China, Bangladesh, Coreia do Sul, Taiwan, Indonésia, Vietnã e Tailândia iniciou nesta segunda-feira, pelo Mato Grosso, uma viagem pelas principais áreas produtoras do país para conhecer fazendas, usinas de beneficiamento e laboratórios de classificação de algodão.

O sistema de rastreamento de fardos será lançado em outubro, durante congresso do setor na Inglaterra, e funcionará plenamente a partir da safra 2016/17, quando os produtores brasileiros esperam ter uma produção maior e também uma oferta mais adequada da pluma, após uma quebra da colheita em 2015/16, devido ao clima irregular.

Em condições climáticas normais, o Brasil, terceiro exportador de algodão do mundo, atrás de Estados Unidos e Índia, vende no exterior cerca de 1 milhão de toneladas da pluma por ano.

"Com o sistema, os importadores vão poder acompanhar (as cargas) onde estiverem e ter certeza que o fardo saiu daqui, isso vai facilitar muitas negociações. O importador vai ter condições de aferir a qualidade, e estaremos um passo à frente da maioria dos mercados", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, falando de Sapezal (MT).

Segundo o dirigente da Abrapa, 12 dos maiores compradores de algodão do mundo estão acompanhando a visita, que passará também por localidades de Goiás e Bahia, além de Brasília, onde está sendo concluído o laboratório de referência do setor.

Cerca de 50 milhões de reais foram investidos no laboratório de Brasília e em mais de uma dezena de unidades espalhadas pelo país, recursos que vieram de produtores nacionais e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), instituição criada para receber recursos do governo dos EUA, como parte de solução do contencioso contra subsídios norte-americanos vencido pelo Brasil na Organização Internacional do Comércio (OMC).

Segundo Jacobsen, os participantes da viagem pelos polos produtores brasileiros compram anualmente cerca de 750 mil toneladas das cerca de 1 milhão de toneladas da exportação do Brasil.   Continuação...