Investigação aponta liquefação como causa de desastre da Samarco e não indica culpados

segunda-feira, 29 de agosto de 2016 21:15 BRT
 

Por Marta Nogueira

NOVA LIMA, Minas Gerais (Reuters) - Investigação contratada pela Samarco e por suas controladoras, Vale e BHP Billiton, sobre o rompimento da barragem de Fundão, confirmou nesta segunda-feira teses já publicadas por autoridades e apontou como causa a perda de estabilidade na fundação de rejeitos, em um processo conhecido como liquefação.

Relatório publicado pela Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, que realizou investigação, afirmou que a liquefação foi consequência de uma cadeia de eventos e condições, incluindo alterações feitas no projeto em anos anteriores ao rompimento.

A investigação, entretanto, não apontou culpados para aquele que é considerado o pior desastre ambiental da história do Brasil. Com o estouro da barragem, uma onda de lama matou 19 pessoas e deixou centenas de desabrigados, além de ter poluído o rio Doce, que deságua no mar, no final do ano passado.

Por meio de uma vídeo conferência, Norbert Morgenstern, chairman do painel de especialistas da Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, explicou a jornalistas que foi depositada lama em áreas não previstas na chamada ombreira esquerda da barragem e que também foi feito um recuo do eixo da ombreira no mesmo local.

Dessa forma, de acordo com a investigação, havia lama abaixo do maciço que passou por processos de alteamento, quando as paredes da estrutura são aumentadas para receber mais rejeitos.

"O papel da lama contribuiu para ser um gatilho do rompimento da ombreira esquerda", afirmou Morgenstern.

A investigação também apontou que tremores de terra ocorreram antes do rompimento da barragem.

"Com apenas um pequeno incremento adicional de carga produzido pelos abalos sísmicos, o gatilho da liquefação foi acelerado e iniciou o fluxo de rejeitos", apontou o resumo executivo da investigação.   Continuação...

 
Distrito de Bento Rodrigues, atingido por deslizamento em Mariana.  10/11/2015.   REUTERS/Ricardo Moraes