Economia brasileira encolhe 0,6% no 2º tri, mas indústria e investimento voltam a crescer

quarta-feira, 31 de agosto de 2016 09:55 BRT
 

Por Patricia Duarte e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO/ SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira encolheu 0,6 por cento no segundo trimestre sobre os primeiros três meses do ano, sexto trimestre seguido de retração, mas a indústria e os investimentos deram os primeiros sinais de recuperação.

Na comparação com um ano antes, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencou 3,8 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Pesquisa da Reuters apontava que a economia teria queda de 0,5 por cento entre abril e junho na comparação com o trimestre anterior e de 3,7 por cento sobre o segundo trimestre de 2015.

Segundo o IBGE, a Indústria mostrou expansão de 0,3 por cento no trimestre passado sobre o anterior, interrompendo cinco sequências seguidas de contração. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimentos, subiu 0,4 por cento no período, depois de recuar por 10 trimestres seguidos.

Do lado negativo, Serviços e Agropecuária tiveram quedas de 0,8 e 2,0 por cento no período, respectivamente.

O consumo das famílias, no trimestre passado, caiu 0,7 por cento sobre janeiro a março, em meio ao cenário de inflação e desemprego elevados. O consumo do governo, no mesmo período, caiu 0,5 por cento.

No primeiro trimestre deste ano sobre o período imediatamente anterior, o IBGE informou que a economia recuou 0,4 por cento, número revisado para mostrar maior contração que a de 0,3 por cento reportada antes.

O segundo trimestre foi marcado pela troca de governo, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff e Michel Temer assumindo interinamente o comando do país em maio. Com forte discurso de ajuste fiscal, a nova equipe econômica encabeçada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem conseguido melhorar a confiança dos agentes econômicos.

Mas os mercados financeiros e o setor produtivo já começam a cobrar ações mais contundentes de Temer, sobretudo para aprovação de medidas de austeridade no Congresso Nacional, assim que o afastamento de Dilma for confirmado, o que deve ocorrer nesta quarta-feira pelo Senado.