Economia brasileira cai 0,6% no 2º tri, mas indústria e investimento voltam a crescer

quarta-feira, 31 de agosto de 2016 21:02 BRT
 

Por Patricia Duarte e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO/ SÃO PAULO (Reuters) - A recessão brasileira chegou ao seu ponto mais agudo no trimestre passado, ao cair 0,6 por cento sobre o período anterior, mas começou a dar alguns sinais de recuperação com desempenhos positivos da indústria e dos investimentos depois vários meses no vermelho.

Isso não significa, no entanto, que a economia voltará a crescer rapidamente e de maneira robusta, já que o consumo ainda sente bastante o peso da inflação e desemprego elevados.

"Chegamos ao fundo do poço pelo comportamento dos indicadores", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves. "O investimentos teve um movimento importante, ajustando com (o comportamento) da indústria, o que melhora a perspectiva. O mercado de trabalho ainda tem piorado e o consumo vai continuar ruim, pesando sobre a recuperação."

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, marcou o sexto trimestre seguido de contração, o período mais longo da série histórica iniciada em 1996. Na comparação com um ano antes, a economia despencou 3,8 por cento.

Pesquisa da Reuters apontava que a economia teria queda de 0,5 por cento entre abril e junho na comparação com o trimestre anterior e de 3,7 por cento sobre o segundo trimestre de 2015.

A Indústria mostrou expansão de 0,3 por cento no trimestre passado sobre o anterior, interrompendo cinco sequências seguidas de contração. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, subiu 0,4 por cento no período, depois de recuar por 10 trimestres seguidos.

A taxa de investimento ficou em 16,8 por cento do PIB, pior segundo trimestre desde 2003 (16,4 por cento).

"A alta da FBCF e da indústria tem a ver com o aumento da confiança que estimula investimentos", afirmou a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis. "O ambiente influencia muito os investimentos e a produção a despeito dos juros e crédito caros."   Continuação...

 
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