Governo busca investidores em energia e avalia estudos de contratos em dólar

quarta-feira, 31 de agosto de 2016 13:45 BRT
 

Por Luciano Costa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo brasileiro pretende buscar novos investidores para o setor elétrico, promovendo encontros no país e no exterior para apresentar as regras e oportunidades, e poderá também incluir estudos sobre a possibilidade de oferecer contratos em dólares em leilões de contratação de energia, afirmou nesta quarta-feira uma autoridade da área energética.

Contratos em dólar ajudariam na atração de financiamento privado para os empreendimentos em um ambiente global com abundância de capital, indicou o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, durante evento no Rio de Janeiro.

Enquanto o Brasil sofre com escassez de crédito e dúvidas sobre a capacidade de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos próximos anos, outros países da América Latina têm atraído capital estrangeiro para financiar empreendimentos de energia por meio de contratos dolarizados, em licitações que têm atraído grandes elétricas europeias e obtido preços competitivos.

Ainda neste mês, o Chile contratou usinas que demandarão 3 bilhões de dólares em investimentos em uma licitação com forte disputa e com recorde na redução de preços --o custo final da energia ficou em 47,6 dólares por megawatt-hora, ante expectativa inicial do mercado de cerca de 80 dólares.[nL1N1AY18D]

O preço do leilão do Chile, que no câmbio atual ficaria na casa dos 150 reais por megawatt-hora, é mais baixo que o praticado no último certame realizado pelo Brasil, que contratou usinas para operação a partir de 2021 a um custo médio de 198,59 reais por megawatt-hora. O valor também é bem menor que os 213 reais oferecidos a usinas eólicas no último leilão com presença da fonte, no final de 2015.

"O fato é que existe hoje muito dinheiro barato disponível em fundos de investimento europeus... esse dinheiro migra para países que oferecem recebíveis em dólar, porque o risco cambial de longo prazo é muito difícil, e o Brasil tem ficado de fora desse mercado... é uma ideia a ser discutida, não sei se é implementável...", disse Barroso.

"Mas, na tentativa de trazer dinheiro barato para o país, é uma ideia que a gente deveria pelo menos discutir", acrescentou.

Segundo Barroso, que falou com jornalistas após participar de evento do setor eólico no Rio de Janeiro, é preciso entender se os contratos em dólar seriam viáveis para a economia brasileira, que possui características diferentes de outros países, como o Chile, onde existe uma dolarização maior da atividade econômica.   Continuação...