Governo vê mais receitas administradas e concessões no Orçamento de 2017 e não eleva impostos

quarta-feira, 31 de agosto de 2016 19:36 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo elevou nesta quarta-feira a previsão com receitas administradas em 26 bilhões de reais para 2017 e com concessões e permissões em outros 18,4 bilhões de reais para fechar a proposta orçamentária do próximo ano sem a necessidade de aumentar impostos, no dia em que o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff foi chancelado no Senado.

"Este é um orçamento realista", disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao apresentar a jornalistas o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017.

Ele avaliou que a previsão de mais recursos com concessões, por exemplo, é "absolutamente baseada numa realidade concreta". Antes, o governo via o ingresso de apenas 5,6 bilhões de reais por essa fonte, cifra que pulou, na LOA, a 24 bilhões de reais. O governo não detalhou, no entanto, de quais projetos viriam os recursos, apenas destacou os setores de óleo e gás e hidrelétricas.

Em relação à receita administrada, Meirelles destacou que os 26 bilhões de reais adicionais incluem 11,8 bilhões de reais com a venda de ativos, incluindo Caixa Seguridade, Loteria Instantânea, BR Distribuidora, IRB e ações.

Quando definiu a meta de déficit primário de 139 bilhões de reais para o governo central (governo federal, Banco Central e INSS) para 2017, a equipe econômica havia ressaltado a necessidade de uma esforço fiscal adicional de 55,4 bilhões de reais para o alvo ser cumprido.

Nesta quarta-feira, Meirelles indicou que para ajudar a tapar esse buraco, o governo passou a considerar ainda 5,3 bilhões de reais em redução de despesas e 5,7 bilhões de reais com outras investidas.

"Não há dúvida de que esse orçamento será cumprido em 2017 como o de 2016 também será cumprido", afirmou. O ministro ressaltou, contudo, que o governo fará contingenciamentos para se adequar à meta caso isso seja preciso.

Questionado sobre aumento de impostos na LOA, o secretário-executivo da Fazenda, Eduardo Guardia, pontuou que não há necessidade de fazer qualquer elevação tributária nesse momento.   Continuação...