Volume de novos pedidos cai com força e indústria brasileira contrai pelo 19º mês, aponta PMI

quinta-feira, 1 de setembro de 2016 10:01 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A queda no volume de novos pedidos foi acentuada em agosto e as condições do setor industrial no Brasil se deterioraram com força, com a crise econômica mantendo a demanda sob restrição, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira.

Segundo o Markit, o PMI da indústria brasileiro foi a 45,7 em agosto, após 46,0 em julho, permanecendo pelo 19º mês seguido abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

"Os problemas que afetavam a indústria brasileira não acabaram em agosto já que a crise econômica continuou a restringir a demanda", destacou em nota a economista do Markit Pollyanna De Lima.

A demanda foi fraca tanto dos clientes internos quanto externos, sendo que o volume dos novos pedidos provenientes do exterior caiu pelo terceiro mês seguido e a um ritmo mais forte do que em julho.

Assim, o volume de produção continuou a diminuir em agosto, porém num ritmo mais lento devido à alta na produção de bens de consumo, a primeira desde março de 2015.

Com o volume de novos trabalhos recebidos desacelerando e constantes tentativas de redução de custos, os fabricantes brasileiros mais uma vez reduziram a quantidade de compras e o número de funcionários. O nível de emprego já vem caindo há um ano e meio, embora em agosto a taxa de corte tenha atingido seu ponto mais fraco desde março.

Em relação aos custos, as empresas pagaram preços mais elevados por metais, produtos químicos e têxteis, plásticos, alimentos e papel. Segundo o Markit, apesar de ter enfraquecido e atingido o nível mais fraco em cinco meses, a taxa de inflação continuou forte e acima da média de longo prazo.

Como consequência, os preços cobrados foram elevados, mas diante do poder de precificação limitado isso aconteceu a um ritmo modesto.

A indústria mostrou expansão de 0,3 por cento no segundo trimestre sobre o anterior, interrompendo cinco sequências seguidas de contração, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,6 por cento no período.

Para o Markit, o PIB do Brasil terá contração de 3,1 por cento este ano. "Embora seja esperado que a estabilização da crise política impulsione a confiança empresarial e do consumidor, uma retomada iminente é improvável", completou Pollyanna.