Governo e bancos estudam hedge cambial de longo prazo para infraestrutura, diz Itaú BBA

quinta-feira, 1 de setembro de 2016 16:35 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo federal tem discutido com instituições financeiras meios de oferecer hedge cambial para financiamentos de longo prazo em moeda estrangeira que visem investimentos no setor de infraestrutura do Brasil, disse à Reuters nesta quinta-feira um representante do Itaú BBA próximo ao assunto.

As conversas envolvem os ministérios da Fazenda e do Planejamento, além de membros do setor financeiro e agentes do setor de infraestrutura, com o objetivo de atrair capital estrangeiro para viabilizar concessões e novos projetos em um momento de alta taxa de juros e escassez de crédito no Brasil, que enfrenta a maior recessão em décadas.

"Poderia ser para qualquer novo projeto. Se você tem hedge de longo prazo que faça sentido, você consegue acessar financiamento externo para qualquer tipo de setor (de infraestrutura), não só energia... é prematuro entrar em detalhes, mas o conceito é tentar criar esse mercado sem impactos relevantes na política monetária e fiscal do país", afirmou o chefe de project finance para área de energia do Itaú BBA, Marcelo Girão.

Segundo ele, existe uma preocupação em acessar novas fontes de recursos em um momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já afirmou que haverá uma redução da participação da instituição de fomento no financiamento à infraestrutura, em meio a um esforço de ajuste fiscal do país.

"Existem essas discussões hoje, com tanto bancos quanto agentes governamentais estudando se é possível colocar isso de pé. O país tem um nível de reservas super alto em dólares, eventualmente emite papéis em dólares... por que não eventualmente... tentar montar um produto, uma política para prover hedge cambial de longo prazo especificamente para infraestrutura?", comentou.

O representante do Itaú BBA, no entanto, não quis dar detalhes ou falar em prazos para a conclusão das conversas sobre o tema. "É uma discussão que ainda está acontecendo... as conversas começaram há poucos meses".

(Por Luciano Costa)