Decisão da CTNBio frustra expectativa de importadores de milho do Brasil

quinta-feira, 1 de setembro de 2016 17:15 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o uso no Brasil de uma variedade de milho transgênico da Monsanto comercializada nos Estados Unidos, mas deixou outras variedades em análise, frustrando indústrias de aves e suínos que contam com a importação do cereal para arrefecer os preços do produto no Brasil.

Segundo a comissão, o milho geneticamente modificado MON 87411, resistente a insetos e tolerante ao herbicida glifosato, foi liberado em uma reunião plenária.

Contudo, ainda estão sob análise outras duas variedades de milho da Monsanto e uma da Syngenta. Uma avaliação final deverá ocorrer em reunião em outubro, informou a CTNBio.

Indústrias consumidoras contavam com a liberação de todas as variedades para buscar milho no exterior e tentar reduzir os preços do cereal, que bateram recordes nos últimos meses no mercado brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), como não existe uma segregação na hora da colheita e da armazenagem, fica impossível importar grãos apenas da variedade aprovada.

"Para efeito prático, a liberação de uma variedade não refresca nada. O vendedor nos EUA não consegue garantir a rastreabilidade. Esse milho está todo misturado", disse à Reuters o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Ariel Mendes.

O Brasil já planta em larga escala milho transgênico, com tecnologia das empresas analisadas, mas a liberação da importação do produto norte-americano é necessária porque tratam-se de eventos genéticos ainda não avaliados pelo órgão de biossegurança nacional.

Segundo a associação, parte das análises foi represada por pedido de vistas apresentado na reunião desta quinta por técnicos do Ministério do Meio Ambiente.   Continuação...