Produção industrial no Brasil tem alta inesperada em julho, mas ainda aponta fraqueza

sexta-feira, 2 de setembro de 2016 11:53 BRT
 

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira surpreendeu e iniciou o terceiro trimestre com leva alta, o quinto resultado positivo seguido graças ao desempenho de bens intermediários, porém o mais fraco desse período.

Em julho, a produção avançou 0,1 por cento sobre o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Na comparação com julho de 2015, houve queda de 6,6 por cento, 29ª taxa negativa. Os números foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de perda de 0,20 por cento na comparação mensal e de recuo de 7 por cento na base anual, na mediana das projeções.

"É preciso relativizar esses cinco meses seguidos de crescimento. As perdas (acumuladas desde o ano passado) não foram recuperadas, ainda estamos longe do pico de produção e operando em níveis reduzidos", afirmou o economista do IBGE André Macedo.

O IBGE apontou que somente a produção de Bens Intermediários apresentou alta mensal, de 1,6 por cento. Bens de Capital, uma medida de investimento, tiveram queda de 2,7 por cento, enquanto a produção de Bens de Consumo caiu 1,0 por cento.

Entre os 24 ramos pesquisados, 11 apresentaram alta na comparação mensal, com destaque para produtos alimentícios, que subiram 2 por cento, interrompendo dois meses de queda.

A indústria foi um dos pontos positivos no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O setor mostrou expansão de 0,3 por cento entre abril e junho sobre o período anterior, interrompendo cinco sequências seguidas de contração, enquanto o PIB caiu 0,6 por cento.

Entretanto, os sinais de recuperação podem não se concretizar em breve. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apurado pelo Markit apontou que a queda no volume de novos pedidos foi acentuada em agosto e que as condições da indústria se deterioram com força.

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Funcionário visto em fábrica em Pindamonhangaba.
19/06/2015 REUTERS/Paulo Whitaker