Usinas eólicas buscam dólares para manter boom e veem simpatia do governo à ideia

sexta-feira, 2 de setembro de 2016 17:26 BRT
 

Por Luciano Costa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um excesso global de liquidez e o grande interesse de investidores estrangeiros por energia renovável abrem uma oportunidade para o Brasil atrair capital externo para financiar empreendimentos em um momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) busca parceiros privados no fomento ao setor.

Há uma avaliação praticamente unânime entre investidores sobre a necessidade de capital privado a taxas atrativas para o prosseguimento do exponencial crescimento da energia eólica no Brasil, evitando os impactos da crise econômica sobre o setor, que passou praticamente do zero a 10 gigawatts, ou 7 por cento da matriz, em apenas sete anos.

A opinião também começa a encontrar algum eco no governo, segundo autoridades e especialistas ouvidos pela Reuters ao longo de evento que reuniu o setor no Rio de Janeiro nesta semana.

Uma fonte do governo disse que a ideia de contratos ao menos parcialmente dolarizados para atrair o capital externo é viável e não seria estranha à atual regulação, que já convive com a indexação ao dólar da energia da hidrelétrica binacional de Itaipu e do custo de combustíveis de termelétricas.

De acordo com a fonte, que falou sob anonimato, faria sentido o investidor definir a proporção da receita que quer indexar ao dólar e qual será atrelada à inflação brasileira, desde que mediante o pagamento de um prêmio que variaria de acordo com a parcela dolarizada, como forma de remunerar o risco cambial assumido pelo consumidor nessa operação.

A viabilização de um mecanismo desses envolveria o Ministério de Minas e Energia e o da Fazenda, disse a fonte, que também não espera uma oposição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) à ideia.

O presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, disse que ainda não há nenhum estudo nesse sentido, mas que o tema precisa ser analisado, ainda mais diante de um contexto em que o Brasil busca atrair investidores estrangeiros para infraestrutura ao mesmo tempo em que avalia reduzir o papel do BNDES no setor.

O chefe de project finance para energia do Banco Santander, Edson Ogawa, estimou que as taxas atrativas dos financiamentos em dólar sem risco cambial poderiam reduzir o preço final dos leilões de energia em cerca de 10 por cento, com custos menores até que os do BNDES.   Continuação...

 
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