Importação de trigo pelo Brasil deve quase triplicar em setembro após problemas de safra

sexta-feira, 2 de setembro de 2016 18:33 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Moinhos e tradings brasileiros elevaram as compras de trigo do exterior e o Brasil deverá receber quase três vezes mais carregamentos do grão em setembro do que no mesmo mês do ano passado, devido a uma escassez de produto no mercado interno, apontam dados de escalas de navios.

Atualmente, há previsão de desembarque de 433 mil toneladas de trigo estrangeiro nos portos brasileiros este mês, ante 151 mil toneladas na previsão de 12 meses atrás, segundo dados da Wilson Sons Agência.

Do previsto para setembro, há 171 mil toneladas de trigo da Argentina, fornecedor mais tradicional do Brasil, com um aumento de 484 por cento ante 12 meses atrás. Dos Estados Unidos deverão desembarcar 157 mil toneladas, ante apenas 11 mil da previsão de setembro do ano passado.

Metade do volume de trigo processado nos moinhos brasileiros todos os anos vem do exterior. Em 2016, ficou muito difícil encontrar no mercado local o trigo de qualidade elevada usado para fabricação de farinha de panificação, após chuvas prejudicarem as lavouras do Sul do Brasil na colheita de 2015.

Intempéries semelhantes afetaram também a qualidade da safra da Argentina, que chegou ao mercado entre o fim de 2015 e o início de 2016.

"Quando começou a ter problema na Argentina, o pessoal carregou a mão no trigo americano. Agora a gente só tem perspectiva de trigo novo argentino para dezembro", disse o executivo de um grande moinho de São Paulo, sob condição de anonimato.

O desenvolvimento das lavouras de trigo do Rio Grande do Sul e do Paraná da temporada 2016 está em andamento, colocando o mercado doméstico no auge da entressafra. A colheita paranaense está na iminência de começar.

"O trigo da nova safra não pode ser processado imediatamente, o grão precisa esperar até se 'estabilizar'. Ele vai ser comercializado ou processado a partir de dezembro. Até lá os moinhos terão necessidade de importar", destacou um corretor sênior de Porto Alegre (RS), sobre o cereal gaúcho, colhido um pouco mais tarde que no Paraná.   Continuação...