5 de Setembro de 2016 / às 16:41 / um ano atrás

Justiça determina afastamento de Wesley e Joesley Batista de mercados e direção de empresas

CEO da JBS, Wesley Batista, em São Paulo. 25/03/2011 REUTERS/Paulo Whitaker

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A Justiça Federal de Brasília determinou o afastamento imediato dos irmãos e empresários Wesley e Joesley Batista, controladores de várias empresas incluindo a processadora de carnes JBS, de função de direção de qualquer empresa ou grupo empresarial, de acordo com decisão obtida pela Reuters nesta segunda-feira.

A medida cautelar, que envolve outras 38 pessoas, se refere a operação Greenfield, da Polícia Federal, que apura um esquema de corrupção envolvendo os principais fundos de pensão de empresas estatais do país.

Além do afastamento da direção de empresas, a decisão também determina que os empresários se afastem de exercer qualquer atividade no mercados financeiros e de capitais e que seus passaportes sejam retidos para evitar que deixem o país sem autorização judicial.

“Essas medidas alternativas à prisão me parecem, que por ora são suficientes para minimizar ou fazer cessar as atividades ilícitas e salvaguardar a ordem pública e econômica”, disse o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara, em sua decisão.

O empresário Wesley Batista, presidente-executivo da JBS, foi um dos alvos de mandados de condução coercitiva na operação realizada nesta segunda-feira, informou a companhia.

Chamada de Greenfield, a operação da Polícia Federal inclui as empresas J&F Investimentos e Eldorado Brasil. Wesley é membro da família Batista, controladora da J&F, que por sua vez controla a Eldorado e a JBS.

Representantes da J&F afirmaram que a operação da PF não envolve a processadora de carne JBS.

A PF deflagrou a operação Greenfield para investigar suspeita de fraude nos fundos de pensão de estatais Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Funcef (Caixa Econômica Federal), com o cumprimento de 127 mandados judiciais em diversos Estados.

Foi cumprido ainda mandado de condução coercitiva contra o empresário Walter Torre Junior, fundador e CEO da WTorre, de acordo com a construtura. Em nota, a WTorre disse que não teve e não tem nenhuma relação direta com nenhum dos fundos de pensão citados na operação da PF. A decisão do juiz também determina a suspensão de Walter Torre Junior do exercício de cargo ou função de direção de empresa e dos mercados, entre outras medidas cautelares.

“Greenfield” é normalmente um termo usado no jargão empresarial para se referir a construções de novas fábricas.

“A J&F e seus executivos esclarecem que colaboram com as investigações e estão à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”, afirmou a holding em comunicado à imprensa.

Segundo a J&F, os investimentos feitos por Petros e Funcef na Eldorado foram de 550 milhões de reais em 2009. De lá até o final do ano passado, a participação dos fundos subiu cerca de cinco vezes, para 3 bilhões de reais.

A Funcef e Petros detêm 8,53 por cento cada do fundo de investimento FIP Florestal, que investe na Eldorado. A produtora de celulose começou a ser construída em 2010 e foi inaugurada no final de 2012.

Por César Raizer

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