Plano de recuperação judicial da Oi prevê carência de 7 anos para grandes credores

terça-feira, 6 de setembro de 2016 06:59 BRT
 

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A operadora de telecomunicações Oi apresentou nesta segunda-feira o seu plano de recuperação judicial, que prevê carência de sete anos para o pagamento de dívida sem garantia, com possibilidade de conversão em ações, e deságio para alguns débitos que pode chegar a até 50 por cento.

A proposta vem pouco mais de dois meses após a maior empresa de telefonia fixa do Brasil pedir recuperação judicial para reorganizar e reestruturar sua dívida de 65,4 bilhões de reais.

A empresa informou que seu conselho de administração aprovou o plano de recuperação das empresas do grupo e a sua apresentação à 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.

Para créditos com garantia real, a proposta é que o credor receba o valor da dívida original, corrigido pela taxa de juros prevista em contrato, com o principal quitado em 10 parcelas semestrais a partir do décimo primeiro ano, com pagamento de 20 por cento por ano, sendo parcelas semestrais de 10 por cento. Juros e correção serão adicionados ao principal nos primeiros sete anos. Após esse período serão pagos semestralmente.

Para credores classe 3, sem garantia, o plano oferece quatro opções, incluindo a possibilidade de troca de dívida por ações.

Na primeira, a reestruturação ocorre sem conversão em ações. O pagamento por credor tem teto de 9,336 bilhões de reais para dívidas em real e o juro sendo a maior taxa entre 8 por cento ao ano e TR + 1 por cento ao ano. Para dívida em moeda estrangeira, a parcela máxima oferecida é 1,873 bilhão de dólares com taxa de juros fixa de 1,25 por cento ao ano.

Nesse caso, a Oi começa a pagar o principal em 14 parcelas semestrais a partir do 11º ano, numa tabela progressiva que começa com 3,75 por cento e vai até 12,5 por cento no último semestre. A correção e juros serão incorporados ao principal da dívida nos primeiros 7 anos e após esse período serão pagos semestralmente.

A segunda opção inclui conversão em ações para no valor de até 32,3 bilhões de reais, com títulos conversíveis ou que deem direito a subscrição de ações ordinárias da Oi ou da sociedade que venha a substituí-la. Os papéis terão valor de face (em dólares, euros ou reais) equivalente a até 10 bilhões de reais.   Continuação...