Embrapa e Bayer juntam forças contra a principal doença da soja no Brasil

segunda-feira, 12 de setembro de 2016 11:02 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a gigante alemã Bayer deram o pontapé inicial para uma parceria de cinco anos que buscará formas de minimizar perdas provocadas pelo fungo da ferrugem asiática, a doença mais temida pelos produtores de soja, a principal cultura do Brasil.

A parceria público-privada (PPP), que será anunciada formalmente em Londrina (PR), na tarde desta segunda-feira, visará primeiramente juntar esforços no sequenciamento do genoma do fungo Phakopsora pachyrhizi, o causador da ferrugem, um agente mutante que está cada vez mais resistente a fungicidas, elevando custos de agricultores no país, o maior exportador global de soja.

Num segundo momento, quando os pesquisadores tiverem todas as informações sobre a biologia do fungo, eles saberão onde está a resistência do agente, o que pode permitir a elaboração de fungicidas mais eficazes, além de dar um norte para o desenvolvimento de sementes mais resistentes à ferrugem e no futuro, quem sabe, uma soja transgênica com tais características.

"É uma questão de segurança nacional... A ferrugem é uma ameaça... E a soja é um dos pilares da nossa economia. Precisamos preservar isso aí", afirmou à Reuters o fitopatologista da Embrapa Maurício Meyer.

Os custos gerados pela ferrugem no Brasil são estimados em 2 bilhões de dólares por ano, considerando despesas com aplicações de fungicidas e perdas de produtividade. O montante representa cerca de 7 por cento do valor bruto da produção brasileira de soja.

E, se nada for feito, a previsão é de que esses custos aumentem ainda mais, com o fungo cada vez mais resistente a agroquímicos.

"Seria ótimo continuarmos contando com a eficiência dos fungicidas, mas, como eles estão perdendo a eficiência, estamos aumentando as aplicações. Além de aumentar o custo operacional, como não está eficiente o controle, estamos aumentando as perdas com a doença", disse Meyer.

"O que antigamente era controlado com duas aplicações de fungicidas, hoje usamos quatro e não temos a mesma eficiência", acrescentou ele, lembrando que fungo, se não combatido, pode reduzir a produtividade de uma lavoura em até 80 por cento.   Continuação...