Caixa deve voltar a vender crédito vencido só em 2017 após atender exigências do TCU

segunda-feira, 12 de setembro de 2016 11:29 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal ainda vai demorar para atender as exigências do Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga prejuízos causados ao banco com a venda de carteiras de crédito vencidas em condições exageradamente vantajosas a certas empresas de recuperação de crédito nos últimos dois anos.

Para autorizar a Caixa a voltar a vender carteiras em atraso, o que não acontece desde março, o TCU apresentou um extenso cardápio de exigências ao banco, como a retomada de algumas operações vendidas desde o ano passado, a criação de uma diretoria de cobrança e a revisão de processos internos de gestão de crédito.

A Caixa já começou a adotar as medidas recomendadas pelo TCU, mas "essa conversa ainda vai demorar", disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Segundo essa fonte, as perguntas do TCU à Caixa sobre as vendas de carteiras são quase diárias. De tão numerosas, as questões só devem ser respondidas a contento do órgão de fiscalização em 2017, avaliou a fonte.

Isso representa um revés à política da Caixa para controlar o aumento da inadimplência. Nos últimos dois anos, o banco estatal encontrou no mercado de recuperação de créditos um meio de limpar sua carteira de empréstimos, que tem flertado com os maiores níveis de calote desde 2008, refletindo a entrada do banco em segmentos de financiamento ao consumo, nos quais não tinha tradição em operar.

Desde 2014, o banco vendeu cerca de 20 bilhões de reais em financiamentos vencidos, considerando o valor de face das operações. Só no ano passado, foram 13 bilhões de reais, mais de metade do giro total estimado do mercado de recuperação de crédito de varejo no país, estimado em 25 bilhões de reais por especialistas do setor.

Neste ano até março, antes da proibição determinada pelo TCU em junho, a Caixa vendeu 2,7 bilhões de reais em créditos tidos pelo banco como podres, sendo 1,4 bilhão de reais para a Omni, braço recente de negócios da financeira especializada em crédito para compra de veículos usados, e 1,27 bilhão de reais para a RCB.

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