Com juro alto, fundos de pensão devem bater meta atuarial em 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016 15:28 BRT
 

Por Aluísio Alves

FLORIANÓPOLIS (Reuters) - Após quatro anos colhendo resultados fracos, os fundos fechados de previdência complementar devem ter rentabilidade mais alta em 2016, apoiados no juro elevado do país, afirmou nesta segunda-feira a entidade que representa o setor, Abrapp.

A previsão é de que a rentabilidade média do setor seja de 16,14 por cento neste ano. O nível é superior aos 15,19 por cento da chamada TJP, taxa mínima necessária para garantir a sustentabilidade dos planos.

"Estamos vindo de três ou quatro anos ruins, esperamos voltar a bater a meta atuarial", disse a jornalistas o presidente da Abrapp, José Pena Neto.

A meta atuarial é a rentabilidade mínima necessária para garantir que os fundos conseguirão pagar as aposentadorias de todos os seus cotistas.

Os fundos de pensão fechados encerraram junho com ativos totais de 763 bilhões de reais, o que representou um crescimento de 13,3 por cento em 12 meses, refletindo maior rentabilidade com aplicações em ativos de renda fixa.

O segmento, que reúne instituições como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; Petros, dos empregados da Petrobras; e Funcef, da Caixa Econômica Federal; encerrou o semestre com 72 por cento dos ativos aplicados em renda fixa, como títulos do governo, que têm proporcionado maior rentabilidade, dado que a taxa básica de juros do país está em 14,25 por cento ao ano.

O resultado ocorre depois que os fundos tiveram fortes perdas nos últimos anos com investimentos fracassados em empresas de infraestrutura, do setor imobiliário e de óleo e gás.

Um dos casos mais simbólicos foi o da Sete Brasil, afretadora de sondas de exploração, que pediu recuperação judicial mais cedo este ano na esteira da crise na Petrobras, sua única cliente, que causou bilhões em perdas a credores e investidores.   Continuação...