Dólar sobe mais de 2% e volta acima de R$3,30 em dia de aversão a risco

terça-feira, 13 de setembro de 2016 17:16 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 2 por cento e fechou no maior patamar em dois meses nesta terça-feira afetado pela aversão a risco no exterior, com o mercado pressionado pela desvalorização do petróleo, além da busca de proteção pelos investidores antes do próximo encontro do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

O dólar avançou 2,09 por cento, a 3,3168 reais na venda, maior cotação de fechamento desde 7 de julho (3,3659 reais). Na mínima da sessão, o dólar marcou 3,2450 reais e, na máxima, 3,3338 reais. O dólar futuro avançava 2,10 por cento nesta tarde.

Somando-se aos motivos de cautela, operadores monitoravam as notícias sobre a saúde da presidenciável norte-americana Hillary Clinton e os desdobramentos da cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.

O risco-país medido pelo CDS de 5 anos chegou a superar 269 pontos no pior momento do dia, de 254 no fechamento de ontem, segundo operadores.

"Essa alta pressionou o câmbio, da mesma forma que o risco de uma delação ou a divulgação, por Cunha, de dados contra o governo", comentou o operador de uma corretora nacional.

Os investidores também se protegeram do risco de o Fed surpreender na reunião de política monetária da próxima semana e elevar a taxa de juros dos EUA.

"A possibilidade de isso (aumento nos juros em setembro) acontecer é baixa, mas o mercado opera expectativa e risco, de modo que eventual surpresa do Fed tende a acelerar o movimento de realização de lucros, sem mudança de conjuntura", argumentou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

A doença da candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, também foi citada por operadores como mais uma das justificativas para a aversão a risco.   Continuação...