Bumlai é condenado a 9 anos e 10 meses de prisão na Lava Jato por empréstimo ligado ao PT

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 11:34 BRT
 

(Reuters) - O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta quinta-feira o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a 9 anos e 10 meses de prisão, devido a um empréstimo fraudulento de 12 milhões de reais relacionado ao PT e investigado no âmbito da operação Lava Jato.

Junto a Bumlai também foram condenadas mais sete pessoas, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor da Petrobras PETR4.SA Nestor Cerveró, ambos já condenados em outras ações penais oriundas da Lava Jato, além des executivos do Grupo Schahin.

De acordo com o Ministério Público Federal, Bumlai foi utilizado como intermediário para a obtenção de um empréstimo fictício de 12 milhões de reais junto ao Banco Schahin, cujos recursos teriam sido repassados ao PT.

Segundo os procuradores do MPF, o empréstimo foi pago de forma irregular por meio da concessão de um contrato de afretamento da Petrobras para o Grupo Schahin.

Bumlai foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta de instituição financeira.

"A prática do crime envolveu fraudes de especial complexidade, como a quitação por simulação de dação em pagamento de semoventes, de difícil detecção, e ainda a utilização de empresa estatal em benefício indevido de agremiação partidária e do próprio condenado", afirmou o juiz em sua sentença.

Segundo Moro, "consequências devem igualmente ser valoradas negativamente, já que a prática do crime envolveu o financiamento ilícito de agremiação partidária, com distorções no processo político democrático".

Bumlai, que foi preso em novembro do ano passado, cumprirá o início da pena em regime fechado, mas o juiz disse que a progressão de regime é uma possibilidade em caso de reparação de danos. Segundo Moro, não houve acordo de colaboração de Bumlai com o MPF, mas uma confissão do pecuarista.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

 
Pecuarista José Carlos Bumlai durante depoimento em Brasília.    01/12/2015       REUTERS/Ueslei Marcelino