Gerdau aposta em exportações após investimento em aços planos em usina de Ouro Branco

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 12:36 BRT
 

Por Jeb Blount

OURO BRANCO, Minas Gerais (Reuters) - A Gerdau, maior produtora de aços longos das Américas, está contando com exportações de produtos siderúrgicos planos não convencionais e uma parceria em coleta de dados com a General Electric para enfrentar a crise do mercado global de aço e a queda na demanda doméstica.

A companhia afirmou que metade da produção da usina de Ouro Branco (MG) está sendo exportada. A crescente produção de bobinas laminadas a quente e chapas grossas na usina está conquistando novos clientes na Inglaterra e Alemanha, disse Rodrigo Soares, diretor industrial da Gerdau, durante visita da imprensa à unidade, na quarta-feira.

"A demanda brasileira está ruim, então precisamos exportar", disse o executivo. "Ser capaz de vender tanto da produção no exterior mostra que podemos competir internacionalmente em preço e qualidade."

A Gerdau planejou a expansão em aços planos da usina de Ouro Branco, um projeto que consumiu 1,5 bilhão de dólares, durante os anos de crescimento acentuado do país. O Brasil enfrenta agora a pior recessão em décadas, e a indústria é afetada também pelo excesso de capacidade produtiva mundial. Agravando o quadro, grandes clientes no país estão envolvidos nos desdobramentos da operação Lava Jato.

Historicamente, os produtores de aços planos do Brasil exportam cerca de um terço da produção durante crises domésticas. A produção de aços planos e exportações elevadas são uma mudança para a Gerdau, grupo tradicionalmente conhecido por aços longos, como vergalhões para construções.

A linha de laminados a quente da Gerdau em Ouro Branco, aberta em 2013, está operando quase à capacidade plena de 800 mil toneladas por ano, disse Soares. A linha de chapas grossas, aberta em julho deste ano, vai processar cerca de 100 mil toneladas por ano do produto, 1 décimo de sua capacidade de 1,1 milhão de toneladas anuais. Ambas as unidades usam placas produzidas no alto-forno da usina, de 4,5 milhões de toneladas por ano de capacidade.

Apesar do real desvalorizado tornar os produtos de Ouro Branco mais competitivos quando vendidos no exterior em dólares, a empresa atraiu ações antidumping nos Estados Unidos. Como resultado, as exportações para o país estão baixas, disse Soares.

O executivo comentou que apesar de Ouro Branco ser distante de portos exportadores do país, a unidade ainda é competitiva para os mercados de exportação uma vez que está a alguns quilômetros de minas de produção de minério de ferro de alta qualidade, o que reduz o custo de matéria-prima.   Continuação...