ENTREVISTA-BC vê menor espaço para reduzir estoque de swaps, diz Ilan

sexta-feira, 16 de setembro de 2016 17:29 BRT
 

Por Marcela Ayres e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central enxerga menor espaço para redução do estoque de swaps cambiais tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- diante da perspectiva de aumento dos juros nos Estados Unidos batendo à porta, afirmou o presidente da autoridade, Ilan Goldfajn.

"A gente sempre disse que ia decidir reduzir o estoque de swaps se e quando houver condições. A gente avaliou que as condições estão mudando", disse Ilan em entrevista à Reuters na tarde de quinta-feira.

"O mercado ficou mais pressionado, nós estamos vendo a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos avançando. Não é para hoje, mas está parecendo que está nesse caminho. Isso altera as condições, se altera as condições eu altero o que estou fazendo", completou.

Segundo Ilan, o BC irá reduzir o estoque de swaps -- hoje na casa de 36 bilhões de dólares, ante 108 bilhões de dólares no começo do ano-- numa velocidade que não pressione o mercado. Questionado se a meta é zerá-lo, Ilan foi mais evasivo.

"Eu não tenho esse objetivo no momento e também não sou contra", afirmou.

O presidente do BC repetiu que o regime de câmbio no país é flutuante e que a autoridade monetária não quer influenciar o mercado "nem para um lado, nem para o outro", buscando deixar as tendências de mercado funcionarem.

Na terça-feira, o BC anunciou menor intervenção no mercado de câmbio com leilão de até 5 mil swaps cambiais reversos, equivalentes à compra futura de dólares. O instrumento vinha sendo utilizado com maior apetite, em meio ao cenário de valorização do real frente ao dólar. Em agosto, o BC chegou a elevar a oferta para 15 mil contratos, mas voltou a reduzi-la para 10 mil ao longo do mês e vinha mantendo esse ritmo desde então.

A menor oferta de swaps reversos vem na esteira de uma mudança recente nos rumos do câmbio, embalada por apostas de aperto monetário nos Estados Unidos, investida que eleva a atratividade dos títulos públicos norte-americanos, aumentando a pressão pelo fortalecimento do dólar.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
15/9/2016 REUTERS/Adriano Machado