Brasil não precisa mudar meta de inflação, diz Ilan

terça-feira, 20 de setembro de 2016 15:15 BRT
 

BUENOS AIRES (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta terça-feira que o Brasil não precisa mudar sua meta de inflação, sendo que o BC avalia que o alcance do centro do alvo de 4,5 por cento em 2017 é possível e que a desinflação continuará nos próximos anos.

"Estamos seguros que a inflação no Brasil convergirá para a meta em todos os horizontes relevantes, em particular para 4,5 por cento em 2017", disse ele.

Ao participar de evento do BC argentino, em Buenos Aires, ele reiterou que a meta de inflação atual brasileira é ambiciosa, mas pode ser cumprida, chamando a atenção para a recente redução nas expectativas para a alta de preços na economia.

A meta de inflação do Brasil é de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual em 2017. Atualmente, em 12 meses, o IPCA acumula alta de cerca de 9 por cento.

O BC já havia sinalizado que pode começar a reduzir a Selic, que está em 14,25 por cento há mais de um ano, em breve. No mercado de juros futuros, as apostas majoritárias são que isso ocorrerá em outubro, próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Em seu discurso, feito em espanhol, Ilan também chamou a atenção para a conjuntura atual de liquidez abundante e de lenta recuperação do crescimento das principais economias, cenário que se desenha como um período benigno para os países emergentes e que deve ser aproveitado, já que é provável que não dure muito tempo.

"Com o tempo, as economias vão recuperar sua trajetória de crescimento. Este movimento inevitavelmente provocará um processo de normalização das condições monetárias em economias avançadas, particularmente nos Estados Unidos", afirmou.

"As economias emergentes devem aproveitar esta janela de oportunidade para reformar e ajustar suas economias", acrescentou.

Especificamente sobre Brasil, Ilan disse ver como "imperativas" as medidas fiscais na direção da redução e racionalização dos gastos, buscando colocar a dinâmica da dívida em ordem.

(Reportagem de Luc Cohen)

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista à Reuters em Brasília, Brasil
15/09/2016 REUTERS/Adriano Machado