Petrobras corta investimento em 25% e eleva meta de venda de ativos

terça-feira, 20 de setembro de 2016 13:25 BRT
 

Por Roberto Samora e Marta Nogueira

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê investir 74,1 bilhões de dólares entre 2017 e 2021, uma queda de 25 por cento em relação ao Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, revisado em janeiro deste ano, elevando ainda projeções de vendas de ativos enquanto busca melhorar suas finanças.

O corte de investimento atingiu várias áreas e ficou acima do esperado por analistas, conforme revelou nesta terça-feira a petroleira em aguardado anúncio que impulsionou as ações da empresa, cujas novas projeções de produção indicam para poucas mudanças.

A estatal apontou ainda uma meta de desinvestimentos de 19,5 bilhões de dólares para o biênio de 2017 e 2018, ante 15,1 bilhões projetados em vendas de ativos entre 2015-2016, tópico considerado fundamental para a empresa reduzir seu enorme endividamento líquido de 332,4 bilhões de reais em 30 de junho.

"Já há um processo em andamento da recuperação financeira da empresa e no fim do prazo de dois anos vamos estar com indicadores financeiros que nos permitirão almejar a voltar a situação anterior, especialmente ao nosso custo financeiro", disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em conferência de imprensa.

Com um plano mais enxuto, Parente disse que a empresa --que perdeu seu grau de investimento em meio aos desdobramentos das investigações de um enorme esquema de corrupção e da acentuada queda nos preços do petróleo-- aspira melhorar os seus ratings.

No plano, a Petrobras prevê reduzir a alavancagem (medida pela relação de dívida líquida/Ebitda) de 5,3 vezes em 2015 para 2,5 vezes em 2018.

Priorizando investimentos na exploração e produção do pré-sal, e já considerando o novo nível de aportes, as parcerias e os desinvestimentos, a empresa prevê produzir 2,77 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) de óleo e líquido de gás natural (LGN) no Brasil em 2021, ante 2,7 milhões de barris de petróleo por dia, em média, em 2020, no plano anterior.

Nas demais áreas de negócios, os aportes visarão, basicamente, a manutenção das operações e projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás, afirmou a estatal em nota.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
 28/1/2016 REUTERS/Sergio Moraes