Novo plano da Petrobras reduz investimentos, amplia venda de ativos e mantém curva de produção

terça-feira, 20 de setembro de 2016 19:15 BRT
 

Por Roberto Samora e Marta Nogueira

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê investir 74,1 bilhões de dólares entre 2017 e 2021, uma queda de 25 por cento em relação ao Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, revisado em janeiro deste ano, elevando ainda projeções de vendas de ativos enquanto busca melhorar suas finanças.

O corte de investimento atingiu várias áreas e ficou acima do esperado por analistas, conforme revelou nesta terça-feira a petroleira em aguardado anúncio que impulsionou as ações da empresa, cujas novas projeções de produção indicam poucas mudanças no médio prazo.

A estatal apontou ainda uma meta de desinvestimentos de 19,5 bilhões de dólares para o biênio de 2017 e 2018, ante 15,1 bilhões projetados em vendas de ativos entre 2015-2016, tópico considerado fundamental para a empresa reduzir seu enorme endividamento líquido de 332,4 bilhões de reais em 30 de junho.

"Já há um processo em andamento da recuperação financeira da empresa e no fim do prazo de dois anos vamos estar com indicadores financeiros que nos permitirão almejar a voltar a situação anterior, especialmente ao nosso custo financeiro", disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em conferência de imprensa.

Diante do bilionário plano de venda de ativos e do novo plano de negócios austero, a empresa pôde encurtar em dois anos o tempo previsto para reduzir a alavancagem (medida pela relação de dívida líquida/Ebitda) de 5,3 vezes em 2015 para 2,5 vezes em 2018. No plano anterior, a queda estava prevista para 2020.

Com um plano mais enxuto, Parente disse que a empresa --que perdeu seu grau de investimento em meio aos desdobramentos das investigações de um enorme esquema de corrupção e da acentuada queda nos preços do petróleo-- aspira melhorar os seus ratings.

Os ajustes, segundo Parente, trarão novos cortes de empregos. "Toda vez que a gente fizer uma parceria ou desinvestimento, haverá um plano de demissões voluntárias", afirmou Parente a jornalistas.

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Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
28/1/2016 
REUTERS/Sergio Moraes