IPCA-15 desacelera alta mais que o esperado em setembro e traz alívio ao BC

quinta-feira, 22 de setembro de 2016 18:02 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em setembro mais do que o esperado diante do alívio nos preços dos alimentos, dando força às expectativas de que o Banco Central reduza os juros em breve, embora em 12 meses o indicador ter continuado próximo de 9 por cento.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,23 por cento neste mês, depois de subir 0,45 por cento em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Pesquisa Reuters mostrava expectativa de alta de 0,35 por cento.

No acumulado em 12 meses até setembro, a alta somou 8,78 por cento, desacelerando sobre os 8,95 por cento do mês anterior e também abaixo da expectativa de 8,91 por cento. Mesmo assim, permaneceu acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

"Com expectativa de inflação para os próximos períodos mais benigna..., manutenção de menos pressão nos itens de alimentos, além do efeito favorável do câmbio, um corte na Selic em outubro se mostra mais provável", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, por meio de nota, acrescentando que a redução já pode ser de 0,5 ponto se houver "sinais de redução da incerteza sobre ajustes na área fiscal".

O BC vem mantendo a taxa básica de juros em 14,25 por cento há mais de um ano, com seus membros mostrando satisfação com o progresso nas perspectivas de desinflação.

A perda de força do IPCA-15 neste mês reforçaram também as apostas no mercado de DI de que o BC vai reduzir a Selic em outubro, próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).

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Consumidor observa preços em mercado no Rio de Janeiro, Brasil
06/05/2016 REUTERS/Nacho Doce