Companhias aéreas vêem demanda estabilizando, mas otimismo sobre viagens de fim de ano segue contido

quinta-feira, 22 de setembro de 2016 12:46 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A queda na demanda por passagens aéreas no Brasil mostra sinais de estabilização, mas empresas seguem cautelosas quanto à procura voltada para os feriados do fim do ano, conforme o ambiente econômico no país segue desafiador.

O ambiente é sentido pela maior operadora de turismo do país, a CVC, que tem observado aumento nos pedidos de orçamentos para viagens destinos nacionais, mas que não estão sendo convertidos uma vez que o consumidor ainda está deixando para comprar em cima da hora.

"Há uma volta da confiança, mas não do dinheiro no bolso", disse o presidente da CVC, Luiz Eduardo Falco. Ainda assim, ele avalia que a tendência é de menos promoções agressivas perto das datas das viagens, pois há menos produtos das prateleiras.

A operadora de turismo afirmou que a maior procura para as viagens de fim de ano no país recai principalmente sobre a região Nordeste, além de mini cruzeiros pelo litoral brasileiro.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), no acumulado do ano até julho, a demanda por voos domésticos caiu 6,63 por cento sobre igual período de 2015. Já a oferta de lugares em voos teve retração de 6,22 por cento.

Na avaliação de duas das maiores empresas do setor, Latam Airlines e Avianca Brasil o mercado pode ter atingido o fundo do poço, mas as empresas não se mostram exatamente otimistas quando questionadas sobre o fim do ano, uma das épocas de maior movimento de passageiros para o setor.

"A demanda no mercado de aviação parou de piorar no Brasil, mas os sinais de reação ainda são tímidos e insuficientes para sustentar uma previsão de que a recuperação começou", disse a Latam Airlines no Brasil. Já o presidente-executivo da Avianca no país, Frederico Pedreira, afirmou que a empresa está muito cautelosa. "Está sendo um ano muito complicado, então nós preferimos ainda ver como (a demanda) vai se comportar em setembro e outubro antes de fazer previsões para o final do ano", disse.

A avaliação é a mesma manifestada pelo presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, nesta semana, que afirmou que o mercado está "parando de cair. A velocidade da queda está diminuindo, mas eu não consigo falar ainda sobre recuperação".   Continuação...