Sindicatos da FUP iniciam votação sobre greve na Petrobras; Parente pede compreensão

quinta-feira, 22 de setembro de 2016 14:36 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os sindicatos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) iniciaram nesta quinta-feira assembleias para votar um indicativo de greve na Petrobras, após forte rejeição à proposta da empresa para o acordo anual sobre salários, enquanto o presidente da petroleira, Pedro Parente, pede compreensão.

Enquanto luta para melhorar sua saúde financeira, a Petrobras ofereceu reajuste salarial anual abaixo da variação da inflação, e também propôs um corte de pagamentos de horas extras e turnos de trabalho regulares.

Durante os próximos cerca de seis dias, os funcionários deverão votar se aprovam ou não o indicativo da FUP para rejeição da proposta salarial e de benefícios, estado de greve e estado de assembleia permanente.

Nesta quinta-feira, os sindicatos realizam mobilizações, em frente a prédios da Petrobras, protestando contra o que consideram perda de direitos dos trabalhadores.

Em entrevista à Reuters na quarta-feira, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que, na história da empresa recente até 2014, os funcionários da Petrobras tiveram "aumentos reais bastante acima da inflação". Isso, na avaliação do executivo, não é possível no momento, já que a empresa está com os esforços voltados para reduzir a dívida "o mais rápido possível".

Francisco José de Oliveira, diretor de Comunicação da FUP, federação que representa 14 sindicatos de petroleiros, disse que a greve que está sendo construída para este ano, ainda sem data marcada, deverá superar a de 2015, que foi a maior em 20 anos.

A força para os protestos, segundo o sindicalista, será devido aos grandes cortes de investimentos e ao bilionário plano de venda de ativos comandados pela atual gestão, considerados pela diretoria essenciais para reduzir seu enorme endividamento líquido de 332,4 bilhões de reais em 30 de junho.

"A mobilização não é por salários, é pela manutenção de nossos empregos, dos nossos direitos e contra a venda de ativos", afirmou Oliveira, à Reuters.

O presidente da Petrobras afirmou nesta semana que, toda vez que houver uma parceria ou desinvestimento, haverá um plano de demissões voluntárias. Segundo o plano de negócios da empresa, 9.670 funcionários devem se desligar até meados de 2017, considerando PIDVs desde 2014.   Continuação...