22 de Setembro de 2016 / às 17:42 / em um ano

Chuva chega ao Centro-Oeste e destrava plantio de soja; Paraná espera mais umidade

SÃO PAULO (Reuters) - Pancadas de chuva deverão se espalhar por áreas produtoras de soja no Centro-Oeste do Brasil, especialmente em Mato Grosso, principal Estado produtor de grãos, onde agricultores aguardam um aumento da umidade do solo para iniciar o plantio da nova safra 2016/17, disseram meteorologistas.

"Umidade se espalha para áreas produtoras e provoca chuva em forma de pancadas após uma tarde quente em Rondônia, sul do Pará, Maranhão, Tocantins, centro e norte do Mato Grosso e norte de Goiás nesta quinta-feira", disse a Somar Meteorologia em uma relatório diário.

Até o momento, em setembro, não havia chovido de maneira generalizada em Mato Grosso, segundo os registros da Somar.

O painel Agriculture Weather Dashboard, da Thomson Reuters, mostra chuvas diárias em Mato Grosso a partir de sexta-feira até pelo menos o dia 6 de outubro.

O período de vazio sanitário, em que produtores são proibidos de plantar soja para evitar a propagação de doenças fúngicas, terminou na quinta-feira passada, marcando o início oficial da temporada de plantio de soja em Mato Grosso.

Contudo, os trabalhos nas principais regiões de plantio do Estado não tinham começado imediatamente de maneira significativa devido aos temores dos agricultores com a umidade do solo, necessária para garantir uma boa germinação das sementes.

"Ainda é um plantio de alto risco, mas agora já tem muita gente plantando", relatou o presidente do Sindicato Rural de Sapezal (MT), um dos maiores municípios produtores de Mato Grosso, José Guarino Fernandes.

Ele relatou que sua propriedade ainda não iniciou o plantio, o que deverá acontecer só nos primeiros dias de outubro, quando as chuvas na região já estiverem bem estabelecidas.

"Tem bastante umidade de solo, mas se tiver veranico (estiagem) de 20 a 25 dias, como já aconteceu outras vezes, podemos ter perdas na soja", disse o agricultor, demonstrando cautela.

No início da semana, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estimou que a safra do Estado deverá atingir um recorde de 29,9 milhões de toneladas de soja em 2016/17, ampliando uma previsão feita anteriormente, com base no otimismo em relação às condições climáticas.

A Somar Meteorologia indicou ainda que, nos próximos dias, a chuva avançará para Minas Gerais, sul de Goiás e para a região de expansão agrícola conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além do Pará.

PARANÁ

O Paraná, segundo maior produtor de grãos do país, onde o vazio sanitário também terminou há uma semana, avançou com o plantio nos primeiros dias da temporada, favorecido por boa umidade no solo.

Um período de seca nos últimos dias, contudo, desacelerou os trabalhos.

"Realmente, o plantio começou acelerado. Tivemos incremento bastante grande na área semeada na região. Agora deu uma parada porque tivemos chuvas apenas na segunda-feira", relatou o diretor-secretário do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Vallini.

Na região de Jacarezinho, o plantio também foi iniciado e interrompido, relatou o Departamento de Economia Rural (Deral), ligado ao governo do Estado.

"Timidamente, alguns produtores de soja e milho primeira safra semearam suas lavouras, a grande maioria espera ocorrência de chuvas para intensificar suas plantações", disse o técnico Franc de Oliveira, do Deral, em um relatório.

A Somar Meteorologia projeta que as precipitações migrarão novamente na direção da região Sul nos primeiros dias de outubro.

"A condição (mais seca) está favorável para preparo de solo. É um período que propicia todo o pré-plantio", disse o gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.

Segundo ele, alguns produtores poderão inclusive plantar no solo seco na semana que vem, já confiantes nas chuvas que deverão chegar no fim do mês.

Os especialistas dizem que a pressa de muitos agricultores do Paraná em antecipar o plantio deve-se principalmente à busca de uma colheita de soja ainda em janeiro, o que garantiria uma melhor janela climática para o cultivo de uma segunda safra de milho --o cereal está extremamente valorizado no mercado doméstico.

Por Gustavo Bonato

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