Petrobras enfrenta problemas em térmica e terminal GNL colocados à venda

sexta-feira, 23 de setembro de 2016 18:24 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A estatal Petrobras tem enfrentado problemas com um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) e uma termelétrica instalados no Ceará, que fazem parte de um pacote de ativos colocado à venda em junho deste ano, em meio ao bilionário plano de desinvestimentos da companhia.

Documento da petroleira visto pela Reuters aponta que a Secretaria de Infraestrutura do Ceará pretende utilizar para outros fins a área atualmente ocupada pelo terminal de GNL da Petrobras no Porto de Pecém, o que a companhia entende que "pode resultar em desmobilização" da unidade.

A Petrobras também afirma no documento que tem enfrentado "inúmeros problemas" na operação de uma termelétrica abastecida pelo terminal, a UTE TermoCeará, atribuídos a "vícios ocultos no projeto das turbinas" da usina.

A companhia estima no documento que as falhas na térmica, que incluem "danos catastróficos" em três turbinas, já levaram a uma indisponibilidade acumulada das máquinas que exigiu a compra de 273 milhões de reais em energia no mercado para compensar o que deixou de ser produzido.

A TermoCeará pertencia originalmente à MPX, empresa de energia do empresário Eike Batista, e foi comprada pela Petrobras em 2005 por 137 milhões de dólares.

No documento visto pela Reuters, a estatal afirma que investiu cerca de 31,7 milhões de reais entre 2010 e 2015 na usina, incluindo para manutenção e substituição de equipamentos, mas aponta que ainda assim "as dificuldades vêm sendo grandes" e podem levar à "inviabilidade comercial" da planta.

A TermoCeará possui 220 megawatts de potência, o que representa 3,5 por cento do parque gerador da Petrobras, que soma 6,2 gigawatts.

Já o terminal de regaseificação de GNL da Petrobras no Ceará conta com capacidade de transferir até 7 milhões de m³/dia de gás natural para o Gasoduto Guamaré- Pecém (Gasfor). A unidade é uma das duas de GNL da companhia, e soma-se a um terminal no Rio de Janeiro com capacidade para escoar até 14 milhões de m³/dia.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil
21/03/2016 REUTERS/Sergio Moraes