ENTREVISTA-JBS vê carne bovina do Brasil competitiva nos EUA mesmo com taxa

sexta-feira, 23 de setembro de 2016 18:03 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A JBS, maior produtora global de carnes, avalia que os Estados Unidos estarão já em 2017 entre os cinco principais destinos de carne bovina brasileira, apostando na competitividade do produto nacional, afirmou nesta sexta-feira um alto executivo da companhia, no dia em que a empresa realizou o seu primeiro embarque de cortes in natura para o território norte-americano.

Segundo o presidente da JBS Mercosul, Miguel Gularte, o Brasil tem competitividade até mesmo para vender fora de uma cota de isenta de tarifas, de 64,8 mil toneladas de carne in natura, na qual o país foi incluído após acordo histórico em agosto com o governo dos EUA.

"Quando terminar o volume da cota (isenta de tarifa), os negócios vão seguir de forma normal, e o cliente vai ter que pagar e talvez descontar o preço", afirmou o executivo, referindo-se ao imposto de 26,4 por cento cobrado para as vendas fora da cota.

Um dos trunfos do Brasil, maior exportador global de carne bovina, é ter ampla oferta da carne de dianteiro do gado, usada para fazer hambúrguer, produto altamente consumido nos EUA.

Gularte ressaltou que boa parte da carne importada pelos EUA é utilizada para a produção de hambúrguer, e com o produto brasileiro não será diferente.

Segundo o presidente da JBS Mercosul, o fato de a carne brasileira ter baixo percentual de gordura, devido ao tipo de gado que predomina no Brasil, ajuda na utilização do produto como "blend" para a preparação dos hambúrgueres.

A posição de líder do Brasil na exportação global, com uma capacidade de oferta constante, também facilita os negócios com os norte-americanos.

Ele destacou também a grande atuação que a JBS tem nos Estados Unidos, o que também favorece a penetração da carne do Brasil.   Continuação...