PF diz que Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações

segunda-feira, 26 de setembro de 2016 14:06 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O delegado Igor Romário de Paula, coordenador da força-tarefa da Lava Jato na Polícia Federal, leu nota nesta segunda-feira na qual a PF rejeita a hipótese de que tenha havido qualquer vazamento indevido de informações da 35ª fase da operação, que resultou na prisão nesta manhã do ex-ministro Antonio Palocci, ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

A nota, lida antes do início da entrevista coletiva sobre a nova fase da Lava Jato, vem depois de o ministro dizer no domingo que haveria uma nova fase da Lava Jato nesta semana.

"Em relação à 35ª fase da operação Lava Jato, a Polícia Federal esclarece que adotou o mesmo padrão de compartimentação e cuidado com informação que caracteriza as quase 500 operações deflagradas neste ano", disse Paula, ao ler o comunicado em Curitiba.

"Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento de seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento de operações especiais de polícia judiciária são acompanhadas apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional."

Segundo o comunicado, "como foi amplamente demonstrado em operações anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais".

O texto acrescenta, porém, que "é sugerido ao seu titular (do Ministério da Justiça) que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação. Não informando sobre os detalhes da operação."

No domingo, em conversa com integrantes do movimento Brasil Limpo, que organizou atos de apoio ao impeachment de Dilma Rousseff, o ministro da Justiça disse que haveria nova fase da Lava Jato nesta semana, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

"Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse Moraes, segundo a reportagem. Na semana passada, a 34ª fase levou à prisão, por algumas horas, do ex-ministro Guido Mantega, petista como Palocci.

Segundo a reportagem, a declaração foi feita de forma espontânea, sem que ninguém tivesse questionado o ministro. Horas após a declaração de Moraes, o Ministério da Justiça divulgou nota em que negou tratar-se de informação privilegiada do ministro em relação às ações da operação. De acordo com a assessoria de imprensa, a afirmação do ministro foi "força de expressão'.   Continuação...