BC vê inflação abaixo do centro da meta em 2017, e em 3,8% em 2018

terça-feira, 27 de setembro de 2016 09:46 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a ver a inflação abaixo do centro da meta tanto em 2017 quanto em 2018 pelo cenário de referência, apontando progressos em relação à inflação de alimentos e reforçando no mercado apostas de um corte de juros já na próxima reunião do Copom, em outubro.

Sobre a inflação de serviços e o ajuste fiscal, o BC fez em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta terça-feira, uma avaliação mais cautelosa, destacando a permanência de incertezas.

A autoridade monetária previu uma inflação medida pelo IPCA em 4,4 por cento em 2017, ante 4,5 por cento em sua última estimativa, feita no comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do fim de agosto. Para este ano, manteve a estimativa de inflação de 7,3 por cento. Já para 2018, também pelo cenário de referência, o cálculo do BC foi de uma alta do IPCA de 3,8 por cento.

O cenário de referência considera a manutenção da Selic em 14,25 por cento ao ano e o dólar a 3,30 reais por todo o horizonte de previsão.

Rotineiramente, o BC fazia no relatório de setembro estimativas para o terceiro trimestre de dois anos à frente. Nesta terça, contudo, disse que a extensão das projeções até o quarto trimestre de 2018 cumpre o papel de cobrir a totalidade dos anos-calendário para os quais já há definição das metas para a inflação.

O alvo para este ano é de uma inflação de 4,5 por cento, com margem de dois pontos para mais ou para menos. Para 2017 e 2018, o centro da meta permanece o mesmo, mas a margem de tolerância é de 1,5 ponto percentual.

Ecoando trecho de discurso recente do presidente do BC, Ilan Goldfajn, o relatório destacou que o horizonte relevante das ações de política monetária não é estático e se desloca continuamente com o passar do tempo.

O documento esclareceu ainda que esse horizonte "abrange os anos-calendário com metas já definidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), inclusive o ano de 2017, para o qual o Comitê persegue a convergência para a meta de 4,5 por cento".   Continuação...