BC vê inflação abaixo do centro da meta em 2017 e 2018 e sinaliza corte de juros

terça-feira, 27 de setembro de 2016 12:25 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a ver a inflação abaixo do centro da meta tanto em 2017 quanto em 2018, apontando progressos em relação à alta dos preços de alimentos e reforçando no mercado as apostas de corte de juros já na próxima reunião do Copom, em outubro.

Sobre a inflação de serviços e o ajuste fiscal, o BC fez em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta terça-feira, uma avaliação mais cautelosa, destacando a permanência de incertezas.

A autoridade monetária previu uma inflação medida pelo IPCA em 4,4 por cento em 2017, ante 4,5 por cento em sua última estimativa, feita no comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do fim de agosto. Para este ano, manteve a estimativa de inflação de 7,3 por cento. Já para 2018, sempre pelo cenário de referência, o cálculo do BC foi de uma alta do IPCA de 3,8 por cento.

O cenário de referência considera a manutenção da Selic em 14,25 por cento ao ano e o dólar a 3,30 reais por todo o horizonte de previsão.

"Todos (os modelos do BC) sinalizam que tem espaço para cortar juros sem interromper a trajetória de convergência para a inflação", avaliou o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, que espera redução de 0,5 ponto da Selic no próximo mês e outra de igual magnitude em novembro.

"De modo geral, a gente não viu nenhuma comunicação de que algo seja impeditivo para começar o processo. É um sinal muito claro de corte em outubro", completou.

Reagindo à publicação do relatório, as taxas dos contratos futuros de juros operavam em queda, com as expectativas de um corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros em outubro ganhando força.

Rotineiramente, o BC fazia no relatório de setembro estimativas para o terceiro trimestre de dois anos à frente. Nesta terça, contudo, disse que a extensão das projeções até o quarto trimestre de 2018 cumpre o papel de cobrir a totalidade dos anos-calendário para os quais já há definição das metas para a inflação.   Continuação...

 
Logo do Banco Central visto na sede, em Brasília.      15/01/2014       REUTERS/Ueslei Marcelino