Preço da carne bovina sobe e melhora margens de frigoríficos brasileiros

terça-feira, 27 de setembro de 2016 12:25 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços da carne bovina dispararam no mercado atacadista brasileiro nas últimas semanas, em um aumento que não foi acompanhado pelos preços pagos pelo boi gordo e que colocou as margens dos frigoríficos no positivo pela primeira vez em meses.

A situação de mercado, que decorre de uma queda na oferta de carne pela redução de abates, e que poderá durar pelo menos até o fim do ano, beneficia grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva, mas também pequenos e médios abatedouros, disseram especialistas.

Os preços do traseiro bovino com osso, por exemplo, subiram mais de 24 por cento desde o início de agosto, quando atingiram uma mínima de quase dois anos. No mesmo período, o preço de referência para o boi gordo recuou 0,9 por cento, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A margem de comercialização de carne com osso, couro e outros derivados estava em 0,3 por cento no fim de julho, tendo saltado para 21,3 por cento na segunda-feira, de acordo com índice da Scot Consultoria.

"Na maioria dos meses de 2016, os frigoríficos trabalharam com margem abaixo da média", destacou a analista de mercado Isabella Camargo, da Scot.

A explicação para o aumento do "spread" está na redução dos abates em diversas unidades industriais nos últimos meses, em meio à alta de custos e queda na demanda de carne.

Numa contagem da consultoria Agrifatto, das 281 unidades frigoríficas existentes no país (com inspeção federal), 58 fecharam as portas entre 2015 e 2016.

Também há unidades iniciando férias coletivas ou realizando abates em dias intercalados, destacaram especialistas.   Continuação...

 
Frigorífico da empresa de alimentos Marfrig em Promissão, São Paulo.   07/10/2011      REUTERS/Paulo Whitaker