Mercado de crédito deve cair em 2016 pela 1ª vez na série histórica, diz BC

quarta-feira, 28 de setembro de 2016 13:16 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a esperar uma queda de 2 por cento no mercado de crédito no país neste ano, pior resultado e o primeiro no vermelho na série histórica para saldos iniciada em março de 2007, ante expectativa anterior de crescimento de 1 por cento.

"Nós temos aí a dinâmica do mercado de crédito ao longo do ano muito influenciada pela retração da atividade econômica, pelos níveis de confiança em patamares reduzidos e pela elevação de custos do crédito", avaliou nesta quarta-feira o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

No ano passado, a expansão do estoque foi de 6,7 por cento, até então a pior da série, já ressaltando a desaceleração dos financiamentos no país em meio ao cenário recessivo, com rápida deterioração do mercado de trabalho e aumento da inadimplência.

Segundo Maciel, a perspectiva para 2017 é mais favorável que a observada neste ano. Ele sublinhou, contudo, que o mercado de crédito poderá contribuir para a retomada da atividade, mas não irá liderar esse processo.

A autoridade monetária informou que agora vê o crédito direcionado subindo 1 por cento em 2016, contra um crescimento de 3 por cento projetado na revisão de junho. Para o crédito livre, a expectativa é de contração de 5 por cento, contra declínio de 1 por cento anteriormente.

Em relação às instituições financeiras, o BC agora enxerga retração de 1 por cento no estoque de crédito de bancos públicos no ano, contra alta de 4 por cento antes.

Para os bancos privados nacionais, a expectativa passou a ser de elevação de 2 por cento, contra recuo de 4 por cento em leitura anterior. Em coletiva de imprensa, Maciel explicou que essa revisão foi diretamente afetada pela incorporação da carteira do HSBC pelo Bradesco. Reagindo ao mesmo movimento de aquisição, a previsão para os bancos privados estrangeiros passou a ser de queda de 16 por cento no estoque de crédito, contra alta de 1 por cento anteriormente.

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Logo do Banco Central visto na sede, em Brasília.      15/01/2014       REUTERS/Ueslei Marcelino