ENTREVISTA-Brasil é alvo de investigação chinesa sobre importações de açúcar, diz Unica

quarta-feira, 28 de setembro de 2016 21:00 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil é um dos países incluídos em investigação do governo chinês sobre grandes importações de açúcar, disse nesta quarta-feira à Reuters a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

Ela afirmou que a Unica, que representa as usinas do centro-sul do país, foi notificada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a investigação.

Espera-se que sejam enviados comentários preliminares para o governo da China até 12 de outubro.

Segundo Elizabeth, Austrália, Tailândia e Coreia do Sul também serão investigadas.

A China lançou uma investigação relacionada às suas crescentes importações de açúcar após queixas da indústria nacional, informou o governo na semana passada, no mais recente sinal de tensões comerciais entre países que são grandes produtores de commodities.

O Ministério do Comércio chinês disse que a investigação vai avaliar importações desde 2011, com foco em possíveis medidas protecionistas de outros países em benefício de seus produtores. A apuração vai durar seis meses, com opção de ser prorrogada. [nL2N1BY0YS]

O Brasil é o maior produtor e exportador global de açúcar e a China é seu maior cliente. O país asiático comprou quase 10 por cento das exportações do centro-sul do Brasil na temporada 2015/16, que totalizaram 23 milhões de toneladas.

"A China diz que identificou esse aumento, esse surto de importação, responsabilizou esses quatro países. Claro que nos preocupa, porque a China é o maior mercado para o açúcar brasileiro", disse a executiva em entrevista.

"No processo de salvaguarda, basta que você tenha um surto de importação que saia da rotina e que tenha potencial para gerar dano à industria local", analisou ela.

Salvaguardas usualmente são implementadas por meio de alta acentuada de tarifas de importação, o que poderia inviabilizar as exportações para a China.

 
Trator carrega cana-de-açúcar em propriedade de Ribeirão Preto.  15/9/2016.  REUTERS/Nacho Doce