Arrecadação cai 10,12% e tem pior agosto desde 2009, diz Receita

quinta-feira, 29 de setembro de 2016 10:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A arrecadação do governo federal em agosto registrou queda real de 10,12 por cento sobre igual período de 2015, a 91,808 bilhões de reais, no pior dado para o mês desde 2009 (85,125 bilhões de reais), em meio à profunda queda da economia.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano houve retração de 7,45 por cento na arrecadação, já descontada a inflação, a 816,481 bilhões de reais. Neste caso, a performance foi a mais fraca para o período desde 2010 (800,895 bilhões de reais), divulgou a Receita Federal nesta quinta-feira.

O desempenho tem como pano de fundo a derrocada da atividade econômica, que afeta em cheio o recolhimento de impostos importantes na base tributária.

Em agosto, houve declínio especialmente de Cofins/PIS-Pasep (-10,75 por cento sobre um ano antes), Imposto de Importação/IPI-Vinculado (-24,94 por cento) e na receita previdenciária (-3,73 por cento).

Enquanto isso, as desonerações seguiram expressivas, em 7,567 bilhões de reais, embora tenham caído 781 milhões de reais na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Em relatório de receitas e despesas bimestral, com base em dados de julho e agosto, o governo já havia passado a calcular o ingresso de 6,2 bilhões de reais com o programa de regularização de ativos no exterior, montante referente apenas aos valores já declarados à Receita Federal até aquele momento, embora ainda não pagos. O prazo para os contribuintes quitarem multa e imposto no âmbito do programa vai até 31 de outubro.

No relatório de arrecadação de agosto, a Receita não fez nenhuma menção ao tema.

Já contando com o ingresso dessas receitas e daquelas que ainda hão de vir, a meta de déficit primário para o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) é de 170,5 bilhões de reais neste ano. Se confirmado, este será o pior resultado histórico das contas públicas e o terceiro seguido no vermelho.

(Por Marcela Ayres)