ANÁLISE-Encolhimento da Petrobras exige atenção em mudança regulatória para evitar o pior

quinta-feira, 29 de setembro de 2016 11:11 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O encolhimento da Petrobras previsto em seu plano de negócios e a consequente perda de relevância da petroleira estatal na economia brasileira demandam mudanças severas na regulação do setor de petróleo e gás, cuja estruturação precisa ser bem feita e cuidadosa para que o país não perca investimentos.

O Plano de Negócios e Gestão da empresa, divulgado na semana passada, prevê aportes de 74,1 bilhões de dólares no período 2017-2021, 25 por cento a menos que o programa anterior, enquanto as vendas de ativos, estimadas em 34,6 bilhões de dólares entre 2015 e 2018, buscam prioritariamente reduzir o enorme endividamento da companhia num ambiente de preços mais baixos do petróleo.

"Para a Petrobras é um plano muito bom, que está atacando de forma contundente a redução da dívida... agora, eu acho que coloca um desafio muito grande para o governo", disse Edmar de Almeida, pesquisador do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Almeida afirmou que o plano demanda que o governo estruture meios para que o país se desenvolva com uma presença menos forte da Petrobras, que está vendendo participação relevante na subsidiária de combustíveis BR Distribuidora, unidades de transporte de gás, termelétricas e até ativos no pré-sal.

Além do fim da obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora única do pré-sal, previsto em projeto no Congresso Nacional, o Brasil precisará equacionar pedidos de reformulação das exigências de conteúdo local nos equipamentos da indústria, para que possam de fato favorecer o desenvolvimento de uma indústria local eficiente.

Para acelerar a produção e reduzir custos, a Petrobras e outras petroleiras que atuam no país têm buscado atualmente permissões da agência reguladora setorial para comprar equipamentos no exterior, mais baratos.

"Alguém tem que olhar para o setor, se nada for feito para compensar essa redução dos investimentos da Petrobras, para coordenar, vamos ter uma crise muito grande", disse Almeida, destacando que a petroleira precisa trabalhar junto ao governo pelas mudanças necessárias.

A Petrobras hoje é responsável pelo abastecimento nacional de derivados e de gás natural. Com a redução do seu papel em ambos os segmentos, o governo precisa encontrar formas de garantir que o mercado tenha segurança de suprimento.   Continuação...