Distribuidoras de energia terão volta à normalidade em 2017, diz S&P

quinta-feira, 29 de setembro de 2016 14:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O setor de distribuição de energia elétrica deverá "retomar gradualmente a normalidade" em 2017, após anos turbulentos para as concessionárias, que sofreram problemas de fluxo de caixa e aumento do endividamento nos últimos anos devido ao represamento de reajustes tarifários e ao aumento de custos com a compra de energia decorrente de uma seca, afirmou nesta quinta-feira o analista da S&P Global Ratings, Marcelo Schwarz.

O especialista disse que o descompasso entre os custos das distribuidoras e as tarifas cobradas dos consumidores, que chegou a um total acumulado de mais de 12 bilhões de reais em 2015, já está em cerca de 1 bilhão de reais, após reajustes tarifários que superaram os 50 por cento no ano passado e uma melhoria do cenário hídrico neste ano.

A melhoria, no entanto, dependerá em parte do ritmo de recuperação da economia do país, que tem forte influência sobre o consumo de eletricidade e, consequementemente, sobre a receita das concessionárias.

"Pensando para 2017, a expectativa nossa é que o setor gradualmente retome a normalidade, mas isso depende também da recuperação econômica, (o setor) é muito sensível a isso", disse Schwarz em apresentação durante evento da S&P sobre o setor elétrico em São Paulo.

O especialista disse que a estabilização do cenário para a distribuição de energia pode melhorar a oferta de crédito para as empresas do setor, que ficou mais restrita neste ano, após o governo intermediar em 2014 e 2015 a tomada de bilhões de reais em empréstimos junto a instituições financeiras para apoiar as distribuidoras, que passaram por forte estresse financeiro em meio à seca e ao descompasso entre tarifas e custos.

Ele também notou que existem muitos ativos à venda no setor, incluindo tanto subsidiárias de distribuição da estatal Eletrobras que o governo já anunciou que pretende privatizar até o final de 2017 quanto empresas privadas que podem ser alvo de fusões e aquisições. Segundo Schwarz, a situação pode dar "poder de barganha" aos compradores interessados em negócios na área.

(Por Luciano Costa)