Petrobras pode ter parceiros para áreas do pré-sal cedidas pela União

sexta-feira, 30 de setembro de 2016 15:52 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A atração de um sócio estratégico pela Petrobras para o desenvolvimento de áreas do pré-sal cedidas à petroleira no processo de capitalização, em 2010, é uma consequência natural, mas para isso seria necessária uma mudança na lei, afirmou nesta sexta-feira o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix.

O contrato da cessão de direitos, conhecido no setor como Cessão Onerosa, garantiu à Petrobras até 5 bilhões de barris de óleo equivalente sem licitação em área na Bacia de Santos. Entretanto, após estudos realizados, acredita-se que os volumes existentes na região podem somar até 12 bilhões de barris, de acordo com o secretário.

Para Félix, pelo tamanho dos investimentos necessários na região, a atração de uma parceria financeira seria um caminho para monetizar os recursos.

A Petrobras trabalha hoje para reduzir a sua dívida, a maior da indústria do petróleo, enquanto luta para crescer em meio aos baixos preços do petróleo e ao escândalo de corrupção que envolveu executivos da empresa, fornecedores e políticos.

"A entrada de sócio é uma inferência natural. Tanto para os 5 bilhões de barris ou para os 5 bilhões mais alguma coisa que (a Petrobras) receba. Esse volume é tão grande que vai exigir um nível grande de investimento para ser monetizado. Poderia ser um sócio financeiro ou uma empresa da indústria", declarou Félix.

Quando foi firmado, em 2010, o contrato da Cessão Onerosa previa uma renegociação de algumas variáveis, como o preço, após a declaração de comercialidade dos campos, o que está ocorrendo atualmente.

Félix sinalizou que, com base em referências técnicas e jurídicas, que a Petrobras poderá ser credora do governo no contrato da cessão onerosa. A afirmação confirma declaração feita pelo presidente, Pedro Parente, à Reuters, em uma entrevista exclusiva na semana passada.

Parente declarou, com base em avaliações entregues por consultoria internacional, que a petroleira deveria ser credora.

"Como o preço do petróleo caiu muito de lá para cá, pode-se inferir que a Petrobras pode ser credora. Essa conta vai ser fria e se basear em questões técnicas e jurídicas", declarou Félix, nesta quinta-feira.   Continuação...

 
Em foto de arquivo, plataforma de produção semisubmersa P-56 da Petrobras, durante sua construção, em Angra dos Reis
24/02/2011 REUTERS/Sergio Moraes