Ilan destaca que BC não tem cronograma preestabelecido para cortar juros

terça-feira, 4 de outubro de 2016 13:48 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central não tem cronograma preestabelecido para flexibilização da política monetária, afirmou nesta terça-feira o presidente do BC, Ilan Goldfajn, repetindo que há um processo de desinflação em curso mas que sua velocidade segue incerta.

"Qualquer decisão será tomada nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), com base na evolução da combinação dos fatores e nas expectativas e projeções de inflação", afirmou Ilan em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

"É a evolução favorável dos fatores que propicia ao Copom o conforto com suas projeções em direção à meta, que é seu objetivo principal. Em suma, a flexibilização das condições monetárias dependerá de fatores que permitam que os membros do comitê tenham confiança no alcance das metas para a inflação", acrescentou.

Em sua fala inicial, Ilan reiterou a avaliação que o BC já tinha feito no Relatório Trimestral de Inflação sobre as três condições em relação às quais precisa ver melhoria antes de reduzir a Selic.

Sobre a persistência dos efeitos do choque de alimentos na inflação, ele repetiu que evidências recentes indicam que a queda nos preços de alimentos no atacado tem se transmitido para o varejo, e que projeções para subitens de alimentos parecem mostrar maior segurança no processo de reversão do choque de preços nesse setor.

Quanto aos serviços, o presidente do BC repetiu que ainda há sinais inconclusivos quanto à velocidade de desinflação em direção à meta.

Falando sobre os desenvolvimentos no fronte fiscal, Ilan ponderou mais uma vez que há sinais positivos do encaminhamento e apreciação das reformas fiscais, mas que o processo de tramitação ainda está no início e permanecem incertezas quanto à aprovação e à implementação dos ajustes necessários.

Ilan reforçou em diversos momentos a importância da aprovação das reformas para restaurar a confiança dos agentes econômicos e criar condições para a recuperação econômica, com inflação baixa e estável. Sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos, afirmou que ela é eficiente ao atacar um ponto fundamental.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
15/9/2016 REUTERS/Adriano Machado