CORREÇÃO-Emissão de títulos de dívida por agricultores enfrenta entraves, diz Itaú BBA

quinta-feira, 6 de outubro de 2016 11:46 BRT
 

(Corrige reportagem publicada em 4/10, para esclarecer informação no 5º parágrafo de que número de produtores da agricultura empresarial é de 10 mil, e não 100 mil)

SÃO PAULO (Reuters) - O número de produtores agrícolas com capacidade de utilizar mecanismos do mercado de capitais para captar recursos, como alternativa aos empréstimos obtidos junto aos bancos, ainda é muito pequeno e há diversas barreiras para ampliar esse uso, quando a iniciativa é exclusiva do agricultor, avaliou nesta terça-feira um executivo do banco de investimentos Itaú BBA.

Instrumentos financeiros, como os CRAs (certificados de recebíveis do agronegócio), vem sendo uma aposta do governo federal para custear o setor, em um momento em que o crédito oficial subsidiado torna-se cada vez menos abundante. Mas esse mecanismo acaba sendo mais usado somente quando grandes companhias, como tradings agrícolas, estão envolvidas no processo.

Para a emissão direta pelos produtores rurais, o que seria uma alternativa de captação mais barata do que os financiamentos bancários, ainda há diversos entraves.

"É um mercado muito pequeno, ainda precisa evoluir... Não é qualquer um que está qualificado", afirmou o diretor de Produtores Rurais do Itaú BBA, Antônio Carlos Ortiz.

Pelas estimativas do Itaú BBA, a agricultura empresarial, que reúne um universo de cerca de 10 mil produtores rurais, movimenta anualmente 40 bilhões de reais em crédito com condições controladas (muitas vezes por oferta e regulamentação do governo) e 60 bilhões de reais em condições de livre mercado (incluindo juros negociados diretamente entre bancos e agricultores).

Deste universo, uma parcela muito pequena, praticamente impossível de calcular, é de crédito obtido por meio do mercado de capitais, com emissões de títulos pelos próprios produtores.

Segundo Ortiz, o número de agricultores com condições de realizar a emissão de títulos, como o CRAs, seria suficiente apenas para encher a sala de reuniões em que ele conversou com jornalistas nesta terça, na sede do banco em São Paulo.

"Quase ninguém tem números auditados", disse o executivo, citando um dos pré-requisitos para lastrear a emissão dos títulos, que é a total transparência das finanças do produtor rural ou sua empresa, reduzindo a percepção de risco por parte do comprador.   Continuação...