Retração de serviços desacelera no Brasil em setembro mas demanda fraca continua pesando, mostra PMI

quarta-feira, 5 de outubro de 2016 10:01 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A contração do setor de serviços do Brasil perdeu força em setembro porém a fraqueza da demanda ainda impede uma virada já que continua a inibir a entrada de novos negócios, apontou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgada pelo Markit nesta quarta-feira.

O PMI de serviços do Brasil subiu em setembro a 45,3 sobre 42,7 no mês anterior, indicando uma queda acentuada no volume de produção ao permanecer abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração mas indicando um ritmo mais lento de redução.

Das seis áreas do setor de serviços monitoradas, somente a de Intermediação Financeira registrou crescimento, de acordo com o Markit.

Os entrevistados apontaram que o nível de desemprego no país e as condições lentas do mercado continuaram a limitar a demanda, provocando portanto a redução na entrada de novos negócios.

"Com o desemprego ainda elevado e a economia em estado frágil, é improvável que uma virada iminente na demanda (do setor privado) possa acontecer e seja sustentada antes que grandes reformas aconteçam", avaliou a economista do Markit Pollyanna De Lima, em nota.

A entrada de novos trabalhos cresceu nas categorias de Intermediação Financeira; Hotéis e Restaurantes; e Correios e Telecomunicações, mas isso não foi suficiente para compensar as perdas vistas em Aluguéis e Atividades de Negócios; Transporte e Armazenamento; e Outros Serviços.

Isso aconteceu mesmo com as empresas reduzindo os preços cobrados pelo sexto mês seguido, ainda que por uma taxa modesta, como tentativa de estimular a demanda e devido a pressões da concorrência.

"Os fornecedores de serviços reduziram seus preços cobrados por seis meses seguidos apesar dos fortes aumentos nos custos. Essa tendência insustentável vai em breve acabar já que as empresas tentarão proteger as margens de lucro e ficarão sem opção a não ser repassar a alta dos custos aos consumidores", destacou Pollyanna.   Continuação...