Indenizações pagas por seguradoras batem recorde no país após quebra de safra

quarta-feira, 5 de outubro de 2016 16:02 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Seguradoras pagaram cerca de 1,1 bilhão de reais em indenizações a produtores de grãos que fizeram seguro agrícola na safra 2015/16, devido a perdas de produtividade por problemas climáticos, principalmente em lavouras de soja, milho e trigo, afirmou nesta quarta-feira a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Foi o maior volume já registrado no país, levando em conta o período desde a safra 2006/07, quando o seguro agrícola passou a receber incentivo do governo federal e tornou-se mais difundido no Brasil.

O pagamento dos chamados sinistros foi realizado cerca de 60 dias após as colheitas dos segurados, disse o presidente da comissão de seguro rural da FenSeg, Wady Cury, durante evento em São Paulo.

"A partir da colheita é muito rápido", disse o executivo, destacando que todos os pagamentos relativos à safra 2015/16 já foram totalmente quitados.

O Centro-Oeste, maior cinturão de grãos do país, sofreu com chuvas irregulares ao longo de toda a última temporada, prejudicando produtividades de soja e milho, os dois principais grãos da pauta brasileira de exportações.

Além disso, a última safra de trigo (2015) no Sul do país também foi prejudicada por clima adverso.

Outros cerca de 300 milhões de reais foram pagos a produtores que tiveram perdas em outras culturas, como frutas, afirmou ele. Os números referem-se às contratações de seguro feitas ao longo de 2015.

Segundo a FenSeg, o seguro agrícola recebe subvenção do governo federal em apenas 40 por cento dos contratos, o que indica que a maioria dos produtores que adota o mecanismo de proteção precisa arcar integralmente com os prêmios de contratação das seguradoras.

A entidade estima que 11 milhões de hectares de agricultura têm algum tipo de cobertura de seguro, o que compara-se, por exemplo, a uma área de 58,3 milhões de hectares de grãos, 9 milhões de hectares de cana e 2,2 milhões de hectares de café, segundo dados da Conab.   Continuação...