Petrobras segue com prêmio na venda de combustíveis apesar de disparada do petróleo

quarta-feira, 5 de outubro de 2016 17:29 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A disparada dos preços do barril do petróleo no mercado global nos últimos dias, com o Brent tocando máximas desde junho acima de 52 dólares nesta quarta-feira, reduz os ganhos da Petrobras com a venda de gasolina e diesel no país, mas a estatal ainda segue vendendo combustíveis com prêmio ante o mercado externo, no atual valor da commodity.

Segundo cálculos da Tendência Consultoria, o barril do Brent, referência global, teria que tocar 58 dólares por barril para que a gasolina no Brasil seja negociada pelo mesmo valor no exterior. No caso do diesel, o petróleo teria que estar cotado a 66 dólares o barril.

A paridade nos preços de combustíveis no Brasil e no exterior, onde os valores dos derivados oscilam em linha com o petróleo, é um dos parâmetros perseguidos pela Petrobras em seu novo plano de negócios, para evitar perdas da divisão de Abastecimento.

"Os preços dos combustíveis estão se aproximando (da paridade), a diferença fica menor, mas tem chão (para chegar na paridade)", afirmou o analista de petróleo da Tendências Walter De Vitto.

A valores de fechamento do petróleo desta quarta-feira, a Petrobras vende o diesel com um prêmio de cerca de 24 por cento ante o mercado internacional, e a gasolina com um ganho de quase 16 por cento.

Desde novembro de 2014, a petroleira estatal tem mantido os preços de ambos os combustíveis bem acima dos valores praticados no exterior, permitindo lucros importantes na divisão de Abastecimento. Antes, quando os preços do petróleo eram o dobro dos valores atuais, a estatal vendia derivados com perdas, até por uma opção do governo, que visava controlar a inflação.

O Brent tocou nesta quarta-feira a máxima desde o começo de junho, a 52,09 dólares por barril, subindo cerca de 13 por cento desde que o acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para cortar a produção, e pela queda dos estoques de petróleo nos Estados Unidos pela quinta semana consecutiva, divulgada nesta quarta-feira.

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