Indústria prevê acelerar investimentos com mudança no pré-sal; sindicatos prometem protestos

quinta-feira, 6 de outubro de 2016 14:15 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A associação que representa as petroleiras no Brasil (IBP) acredita que o fim da regra que obriga a Petrobras a ser a operadora única do pré-sal sob regime de partilha tem potencial para destravar investimentos de 120 bilhões de dólares, além de atrair novos negócios e mais competitividade para novos leilões.

Sob protestos de sindicalistas e da oposição, a Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira o texto-base do projeto que desobriga a exclusividade da Petrobras, mas prevê que a estatal terá a preferência para operar blocos sob o regime de partilha.

A medida foi fortemente defendida pela indústria de petróleo, como forma de aumentar os investimentos no setor, uma vez que a Petrobras enfrenta uma crise financeira que a impede de participar de grandes investimentos no curto prazo, postergando a exploração e produção nas camadas de sal.

"Com isso o Brasil pode decidir o ritmo de desenvolvimento do pré-sal sem depender ou ter que aguardar a recuperação da Petrobras, então abre possibilidades de outros investidores, é um evento muito importante", afirmou à Reuters o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Jorge Camargo.

Cálculos do IBP apontam que a regulação tem o potencial de destravar investimentos de pelo menos 120 bilhões de dólares, juntamente com outras medidas que o governo está tomando.

Isso porque foram feitas descobertas de 8 bilhões a 10 bilhões de barris de petróleo em áreas sob contrato de concessão, mas que se estendem para áreas da União no pré-sal que deverão ser licitadas sob regime de partilha de produção --quatro delas vão a leilão no ano que vem.

Para calcular o potencial de investimentos para essas áreas, o IBP considerou um custo de desenvolvimento entre 10 e 13 dólares por barril para o volume de reservas.

"Só nessas descobertas já feitas, que são muito importantes, podendo licitar os blocos adjacentes, elas vão poder ser desenvolvidas e atrair investimentos nessa ordem de grandeza", disse Camargo.

Outras mudanças regulatórias são aguardadas pela indústria, como regras mais claras para a unitização de reservas de concessão com os volumes que se estendem para o regime de partilha e definições sobre como o governo irá comercializar o petróleo e o gás extraídos no pré-sal.   Continuação...