October 6, 2016 / 8:42 PM / in 10 months

EXCLUSIVA-Investigação vê mais indícios de corrupção na Eletrobras, diz fonte

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - Investigações internas da Eletrobras sobre corrupção apontam ilegalidades em mais empreendimentos da estatal além da usina nuclear Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte, que já são alvo do Ministério Público e da Polícia Federal, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

Os trabalhos de investigação tiveram início após citações a essas duas usinas surgirem em depoimentos de acusados na Operação Lava Jato, que apura um enorme escândalo de propinas entre estatais, empresas privadas e partidos políticos no Brasil.

As apurações internas da Eletrobras envolvem atualmente nove grandes projetos e deverão continuar mesmo após a entrega pela companhia de informações atrasadas devidas à bolsa de Nova York e ao regulador do mercado de ações norte-americano (SEC), que está prevista para a semana que vem, segundo a fonte, que falou na condição de anonimato.

A negociação de ações da Eletrobras na bolsa de Nova York foi suspensa em maio devido ao atraso no arquivamento dos formulários 20-F, com dados financeiros de 2014 e 2015. A auditoria responsável, KPMG, recusou-se a assinar os documentos em meio a investigações ainda em andamento sobre corrupção na companhia.

Mas esses trabalhos demandarão mais tempo porque ainda há uma série de suspeitas que precisam ser esclarecidas, disse a fonte, lembrando que a primeira fase da apuração focou no levantamento do valor das perdas da estatal com a corrupção, que deve ser informado às autoridades dos EUA.

Questionada, a Eletrobras disse apenas que mantém a previsão de entregar os formulários 20-F à bolsa e às autoridades dos EUA em 11 de outubro, mas não quis fazer mais comentários sobre as investigações.

"O Conselho e a diretoria da Eletrobras já sabem que tem que continuar... a investigação não foi instaurada apenas para atender o 20-F. A primeira etapa conclui agora com o 20-F e depois continua", afirmou a fonte.

As apurações internas envolvem mais de 200 profissionais dos escritórios de advocacia Hogan Lovells, WFaria e Pinheiro Neto, além da consultoria em riscos e investigação Kroll. Também participam as auditoras atuais e passadas da Eletrobras, KPMG e PwC, e uma comissão interna formada por profissionais independentes, como a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie.

Segundo a fonte, foram analisadas dezenas de milhares de páginas de documentos e e-mails internos e realizadas diversas entrevistas com funcionários da estatal para averiguar eventuais irregularidades.

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Nessa nova etapa, as investigações internas precisarão obter informações às quais as equipes responsáveis ainda não tiveram acesso, necessárias para esclarecer totalmente as irregularidades praticadas na companhia.

Essas informações referem-se principalmente a projetos nos quais a Eletrobras é apenas acionista minoritária, que possuem administração própria e por vezes têm se negado a contribuir com todos dados solicitados pela força-tarefa responsável pelas apurações.

Há perspectiva ainda, segundo a fonte, de que novas frentes de investigação possam ser abertas em breve devido a denúncias feitas por pessoas envolvidas no esquema que ainda correm sob sigilo no STF por citarem políticos com mandato, que têm direto a foro privilegiado.

A fonte disse que a continuidade das investigações certamente será exigida pela SEC e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, se a Eletrobras quiser continuar com a postura adotada até o momento no caso, de se colocar como vítima das ilegalidades, e não parte do esquema de corrupção.

A fonte avaliou ainda que o caso da Eletrobras é mais complexo que o da Petrobras, que passou por processo semelhante e chegou a atrasar a publicação do balanço enquanto calculava perdas com corrupção.

"Acho que ainda tem muita coisa para acontecer, mais que na Petrobras", disse a fonte, que acredita que a maior parte das irregularidades ligadas á petroleira estatal já veio à tona.

A descoberta de perdas com corrupção, no entanto, não necessariamente levará a Eletrobras a realizar baixas contábeis. Em agosto, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse que a Eletrobras já realizou nos últimos trimestres provisões preventivas que podem superar o custo estimado das perdas com corrupção.

Procurados sobre o assunto, WFaria, PwC e KPMG preferiram não comentar. Hogan Lovells e Pinheiro Neto não responderam imediatamente a pedidos de comentário, enquanto a Kroll afirmou que não vai comentar.

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