EXCLUSIVA-Investigação vê mais indícios de corrupção na Eletrobras, diz fonte

quinta-feira, 6 de outubro de 2016 17:39 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Investigações internas da Eletrobras sobre corrupção apontam ilegalidades em mais empreendimentos da estatal além da usina nuclear Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte, que já são alvo do Ministério Público e da Polícia Federal, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

Os trabalhos de investigação tiveram início após citações a essas duas usinas surgirem em depoimentos de acusados na Operação Lava Jato, que apura um enorme escândalo de propinas entre estatais, empresas privadas e partidos políticos no Brasil.

As apurações internas da Eletrobras envolvem atualmente nove grandes projetos e deverão continuar mesmo após a entrega pela companhia de informações atrasadas devidas à bolsa de Nova York e ao regulador do mercado de ações norte-americano (SEC), que está prevista para a semana que vem, segundo a fonte, que falou na condição de anonimato.

A negociação de ações da Eletrobras na bolsa de Nova York foi suspensa em maio devido ao atraso no arquivamento dos formulários 20-F, com dados financeiros de 2014 e 2015. A auditoria responsável, KPMG, recusou-se a assinar os documentos em meio a investigações ainda em andamento sobre corrupção na companhia.

Mas esses trabalhos demandarão mais tempo porque ainda há uma série de suspeitas que precisam ser esclarecidas, disse a fonte, lembrando que a primeira fase da apuração focou no levantamento do valor das perdas da estatal com a corrupção, que deve ser informado às autoridades dos EUA.

Questionada, a Eletrobras disse apenas que mantém a previsão de entregar os formulários 20-F à bolsa e às autoridades dos EUA em 11 de outubro, mas não quis fazer mais comentários sobre as investigações.

"O Conselho e a diretoria da Eletrobras já sabem que tem que continuar... a investigação não foi instaurada apenas para atender o 20-F. A primeira etapa conclui agora com o 20-F e depois continua", afirmou a fonte.

As apurações internas envolvem mais de 200 profissionais dos escritórios de advocacia Hogan Lovells, WFaria e Pinheiro Neto, além da consultoria em riscos e investigação Kroll. Também participam as auditoras atuais e passadas da Eletrobras, KPMG e PwC, e uma comissão interna formada por profissionais independentes, como a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie.   Continuação...