Setor de biodiesel busca apoio no governo para investimentos de R$22 bi até 2030

quinta-feira, 6 de outubro de 2016 18:21 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Representantes da indústria de biodiesel apresentaram nesta quinta-feira ao governo federal diversas sugestões para fomentar o segmento e aumentar a produção para 18 bilhões de litros até 2030, ante os 4 bilhões de litros produzidos em 2015, com potencial de gerar investimentos de 22 bilhões de reais no período, apenas no processamento do combustível e no esmagamento de soja.

O diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, disse à Reuters que um documento reunindo as sugestões foi elaborado a partir de um chamado do Ministério de Minas e Energia, que queria ouvir as ideias do setor para o futuro.

"É uma atitude extremamente positiva que o Ministério de Minas e Energia adotou, foi o secretário (de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis), Márcio Félix, que nos chamou e pediu para que nós elaborássemos isso para que o ministério possa tomar atitudes", afirmou Tokarski.

O documento, obtido pela Reuters com exclusividade, foi elaborado pela Ubrabio, em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).

Para atingir a produção de 18 bilhões de litros em 2030, Tokarski conta com medidas de incentivo do governo para a indústria de soja, principal matéria-prima do combustível renovável, e com o crescimento progressivo do consumo.

A expectativa é que até 2030 seja obrigatória a mistura de, no mínimo, 20 por cento de biodiesel no diesel comum, permitindo que a participação do combustível renovável na matriz energética atinja 3,5 por cento em 2030, ante 1,2 por cento hoje.

Atualmente, uma lei prevê o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel, passando dos atuais 7 por cento para 8 por cento em março de 2017, aumentando um ponto porcentual ao ano até chegar a 10 por cento em 2019.

O setor espera que o governo adote políticas de promoção e industrialização da soja, para que possa ampliar competitividade internacional de seus produtos, sobretudo do farelo.   Continuação...