Alimentos têm queda em setembro e IPCA registra menor nível em 2 anos

sexta-feira, 7 de outubro de 2016 16:33 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira atingiu em setembro o menor nível em pouco mais de dois anos favorecida pela queda dos preços dos alimentos e baixa demanda, com alívio maior que o esperado na taxa acumulada em 12 meses, em um cenário favorável para que o Banco Central inicie a redução dos juros neste mês.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação positiva de 0,08 por cento em setembro, desacelerando ante a alta de 0,44 por cento de agosto. Essa é a menor leitura mensal desde julho de 2014 (+0,01 por cento) e a mais baixa para o mês de setembro desde 1998 (-0,22 por cento), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em 12 meses até setembro, a alta acumulada caiu para 8,48 por cento, sobre 8,97 por cento no período até o mês anterior. Embora permaneça bem acima do teto da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais-- é a mais baixa desde maio de 2015 (+8,47 por cento), num ambiente em que a taxa básica de juros vem sendo mantida em 14,25 por cento desde o ano passado.

"Acho que esse IPCA reforça a possibilidade de (o BC) iniciar o corte da Selic agora em outubro. Mas acho que ele será cauteloso e começa com corte de 0,25 ponto percentual diante do quadro relativamente incerto em relação à própria inflação nos próximos meses", afirmou o economista da SulAmérica Investimentos Newton Rosa.

Ambos os resultados ficaram abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,20 por cento em setembro, acumulando em 12 meses avanço de 8,60 por cento.

"O fator demanda baixa tem contribuído bem para esta estabilidade de preços num mês em que as taxas normalmente são mais altas. O que temos em setembro é menos efeito do choque dos alimentos e do câmbio", explicou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

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Clientes em supermercado no Rio de Janeiro. 6/5/2016. REUTERS/Nacho Doce